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Ações para prevenir nova seca não visam longo prazo

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Estação de Tratamento de Água de Valinhos – Foto: Divulgação/DAEV

Sem chuvas significativas nos últimos dois meses, as ações tomadas pelos municípios após a severa crise hídrica foram classificadas como “imediatistas” pelo Consórcio PCJ (Consórcio Intermunicipal das Bacias dos Rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí). A avaliação da entidade é que as recentes medidas previnem novos desabastecimentos a curto prazo, mas que ao mesmo tempo não há garantias de soluções a longo prazo com o que já foi feito até agora. Entre 2014 e 2015, a região viveu a maior crise hídrica de sua história.
As últimas chuvas com volume acima de 10 milímetros nos rios da região da bacia do PCJ foram registradas no dia 6 de junho, há 68 dias, segundo dados da Sala de Situação do PCJ, que monitora os rios Atibaia, Jaguari, Camanducaia e Piracicaba.
O tempo sem precipitações é considerado natural devido ao período de estiagem e segundo a gerente técnica do Consórcio PCJ, Andréa Borges, os municípios da RMC não estão na iminência de uma nova crise. “Os municípios estão preparados para o caso de um novo período sem chuvas nesse ano ou no ano que vem. O que (os gestores) correram para investir em 2014 e 2015 nos deixa numa situação tranquila”, afirma.
“As ações tomadas até agora são imediatistas, não garantem a solução a longo prazo desse problema. E se vivermos um período de chuvas abaixo da média que dure cinco anos, como o Nordeste brasileiro vem enfrentando?”, questionou.
Ela elenca ações em Campinas, Jaguariúna, Nova Odessa, Indaiatuba e Americana. “As ações pontuais foram os desassoreamentos de reservatórios, como em Nova Odessa, construção de reservatórios em Indaiatuba, criação de cacimbas em áreas rurais e condomínios fechados para Jaguariúna, para armazenamento de água. Americana modernizou a captação de água no Rio Piracicaba, e Campinas adotou a prática da utilização da água de reuso no Corpo de Bombeiros, por exemplo”, detalhou.

Saiba Mais
A Ares-PCJ (Agência Reguladora dos Serviços de Saneamento das Bacias dos Rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí) informou que , na região, Nova Odessa, Indaiatuba e Campinas têm em andamento o Plano de Redução de Perdas de Água. “A Ares-PCJ trabalha desde 2015 no Programa de Distrito de Medição e Controle, junto com o DAE (Departamento de Água e Esgoto) de Santa Bárbara d’Oeste e a empresa Itron, em que são implantadas num sistema fechado todas as tecnologias disponíveis para redução de perdas (…) Os resultados obtidos têm sido compartilhados com os demais municípios associados”.

Ampliação no tratamento e reservatórios são citados
Autarquias e empresas responsáveis pela gestão de água nas cidades da região apontam como medidas para minimizar impactos de uma possível crise hídrica a construção de novos reservatórios, aumento no volume de água tratada e cuidados nas regiões de nascentes.
Em Sumaré, a BRK Ambiental citou a ampliação na capacidade de tratamento das duas ETAs (Estações de Tratamento de Água). “A reabilitação de um canal aumentou a capacidade de tratamento da ETA I, na Vila Menuzzo, de 250 para 350 litros por segundo. Com relação ao sistema ETA II, no Parque Itália, ampliamos a capacidade de captação do Rio Atibaia de 500 para 650 litros por segundo com a reabilitação do sistema de bombeamento, o que possibilitou aumentar a capacidade de tratamento de 450 para 600 litros por segundo”, apontou.
A empresa também citou aumento na capacidade hídrica (de 720 l/s para 1.000 l/s), redução no índice de perdas de água (de 60% para 48%), desassoreamento e limpeza das áreas de captação, além da construção de uma nova adutora na ETA II, em 2018.
Indaiatuba construiu a barragem do Rio Capivari-Mirim, já em funcionamento e com capacidade para 1,3 bilhão de litros de água, e sete novos reservatórios. Dois reservatórios estão previstos para 2018.
O Saae (Serviço Autônomo de Água e Esgotos) também elencou a ampliação na capacidade de tratamento das ETAs I e III, e a construção de uma quarta Estação de Tratamento de Água em 2018, além de uma barragem no Ribeirão Piraí.
Em Vinhedo, a Sanebavi (Saneamento Básico Vinhedo) apontou que investiu em ações de consumo consciente, combate às perdas, substituição de redes antigas, construção de um novo reservatório para armazenar 2 milhões de litros de água tratada, além da construção da terceira ETA, para utilização de toda a outorga do Rio Capivari.

Após a crise, menos ações
Segundo a gerente técnica do consórcio PCJ, Andréa Borges, as ações adotadas pelos gestores dos municípios diminuíram após o furor da crise hídrica. “Temos visto uma diminuição das ações, também por contra de crise econômica e política, mas temos visto que diminuíram em relação ao período da crise”, afirmou Andréa.
Ela afirma que o momento de reservatórios cheios e sem relatos de falta de água engana, passando uma sensação de falsa tranquilidade. “Parece que estamos no período ‘de relaxar de novo’. Não é. Todo ano o município tem de trabalhar e ter atitudes permanentes. Não podemos ficar correndo atrás e sim ficar à frente da situação”, afirmou.
Um dos problemas enfrentados pelo consórcio para afixar a necessidade de economia é a falta de políticas públicas. “O que temos buscado incentivar é a questão de políticas de sensibilização da população, como estipular multas por desperdício de água. Sentimos falta da manutenção disso e não só aplicar esses mecanismos durante a crise. Alguns municípios, como Bragança Paulista fez, dão desconto no IPTU (Imposto Predial e Territorial Urbano) se tiver área verde na casa ou se fizer captação de água da chuva. Até tem projetos de lei e propostas semelhantes para a região, mas percebemos que o processo é muito lento, vagaroso e burocrático. O que tem faltado é agilizar as leis de incentivo ou tornar permanentes atitudes tomadas só na estiagem”, disse Andréa.

Com informações do Jornal Tododia

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