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Sinfônica recebe fagotista Fábio Cury nos concertos do fim de semana

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O solista Fábio Cury atua como professor de fagote na USP e como fagotista solista da Orquestra Sinfônica Municipal de São Paulo – Foto: Divulgação

 

O fagote, instrumento de timbre grave capaz de produzir sons líricos e divertidos, que remetem às mais diversas imagens, está no centro do palco dos próximos concertos da Sinfônica de Campinas no Teatro Castro Mendes no sábado, 22, às 20h, e no domingo, às 11h. Sob a regência do maestro convidado Wagner Polistchuk, as apresentações terão o solista Fábio Cury, um dos mais respeitados fagotistas do mundo.

No repertório, obras de Camargo Guarnieri (Abertura Concertante), Antonio Ribeiro (Concertino para fagote e orquestra de câmara), Francisco Mignone (Concertino para fagote e pequena orquestra) e Felix Mendelssohn (Sinfonia nº 3, Escocesa).

O solista Fábio Cury atua como professor de fagote na USP e como fagotista solista da Orquestra Sinfônica Municipal de São Paulo. Além disso, tem se destacado como um versátil solista e camerista, revelando facetas pouco conhecidas de seu instrumento. Foi membro fundador da Camerata Aberta, grupo totalmente dedicado ao repertório contemporâneo. Recebeu o prêmio de Melhor Álbum de Música Erudita, conferido pela APCA, em 2010, ao CD Novas e Velhas Cirandas: Música Brasileira para Fagote e Orquestra. Lançou, ainda, Mignone por Fábio Cury: 16 Valsas para Fagote Solo, pelo selo SESC, e Santoro Inédito, pelo selo Água Forte. O álbum Fábio Cury e Alessandro Santoro interpretam Bach registra sua estreia com os instrumentos históricos.

Sua atividade multifacetada e a especial atenção que concede à música brasileira credenciaram-no como presença marcante em festivais de música e séries de música de câmara, como também à frente das mais prestigiosas orquestras brasileiras. Atuou como intérprete, professor e palestrante em eventos de diversos países.

O regente convidado Wagner Polistchuk é trombonista da Sinfônica do Estado de São Paulo desde 1985 – Foto: Divulgação

O regente convidado Wagner Polistchuk é trombonista da Sinfônica do Estado de São Paulo desde 1985. Em 1990, especializou-se na Alemanha com Branimir Slokar, tendo estudado regência com Eleazar de Carvalho, Roberto Tibiriçá e Andreas Spörri, entre outros. Foi diretor artístico da Camerata Antiqua de Curitiba e regente adjunto da Sinfônica de Santo André. Conquistou o segundo lugar no V Concurso Latino-Americano de Regência (1998), venceu o Concurso Jovens Regentes Eleazar de Carvalho (2002) e foi também um dos vencedores do Concurso Internacional de Regência Prix Credit Suiss em Grenchen, na Suíça.

Obras

Filho de Miguel e Grécia Guarnieri, Mozart Camargo Guarnieri traz em seu nome o prenúncio de seu caminho que o levaria às artes musicais. Natural de Tietê, mudou-se apenas na adolescência para a São Paulo, onde continuou seus estudos e estabeleceu contato com Mário de Andrade, que o influenciou em sua carreira artística e manteve um relacionamento estreito com o escritor. Sua produção musical teve uma preocupação em desenvolver as potencialidades da música brasileira e ultrapassou a barreira nacionalista.

A Abertura Concertante, segundo o pesquisador Leonardo Augusto Cardoso de Oliveira, foi escrita sob encomenda da Sociedade Artística de São Paulo e com o dinheiro que conseguiu com a venda da obra foi para os Estados Unidos ministrar um curso a pedido do Departamento de Estado americano. “Nessa obra, a percussão tem uma característica relevante, pois ambienta o tema que permeia o discurso musical como um todo e o acompanha interligando todas as seções”, afirma.

Professor em diversas instituições de formação musical, o compositor Antônio Ribeiro tem uma produção vasta, desde obras para a orquestra, instrumentos solo, até música eletroacústica. Foi aluno de figuras importantes no cenário musical, como Camargo Guarnieri, Osvaldo Lacerda e Flo Menezes. É um dos compositores mais atuantes e respeitados atualmente.

“Seu Concertino para Fagote e Orquestra de Câmara foi escrito de forma equilibrada. A relação entre o instrumento solo e a orquestra é de diálogo constante. No primeiro movimento da obra, há um ambiente seresteiro expressivo com trechos desafiadores para o instrumentista. Em seu segundo movimento, as dificuldades técnicas são mais complexas e exigem grande habilidade do instrumentista, completando seu ápice na cadência que traz temas de ambos movimentos”, relata Leonardo.

Ao lado de Guarnieri, Mignone foi um dos grandes expoentes do projeto de música nacionalista a partir do movimento de Mário de Andrade e suas críticas às técnicas composicionais européias utilizadas pelos compositores brasileiros. Mignone foi professor no Conservatório de São Paulo e desde novo teve contato com a música brasileira. Quando adolescente, usava o pseudônimo de Chico do Bororó para distinguir suas composições de caráter popular.

“Durante um período de ensaios com a Orquestra Sinfônica Brasileira, o compositor perguntou ao primeiro fagostista na época se ele toparia tocar uma de suas obras para fagote com a orquestra. Sem conhecer a composição, o músico pediu que a apresentasse antes de aceitar o convite. Entretanto, esta ainda não existia no papel. Durante os 15 dias seguintes de ensaio, ambos trabalharam juntos para que a música ficasse pronta. Assim surgiu seu Concertino para Fagote e Pequena Orquestra”, conta o pesquisador.

Felix Mendelssohon foi filho de um próspero banqueiro e teve grande parte de sua criação em Berlin. Sua família, inclinada às artes, música e literatura, proporcionou um bom começo ao jovem músico. Durante sua curta vida, priorizou as viagens pelo continente europeu e em uma delas, foi à Escócia. Assim, teve seu primeiro contato com o país que serviria de inspiração para sua obra.

Segundo Leonardo, a Sinfonia Escocesa não utiliza temas da cultura folclórica do país, mas as sensações que o compositor teve em sua viagem. A exemplo, escutamos o primeiro movimento que remete à capela em que Mary Stuart foi coroada, um templo descuidado pelo tempo austero da região. A Sinfonia levou 12 anos para ser completada e o próprio Mendelssohn regeu a obra em sua primeira audição.

Programa

CAMARGO GUARNIERI (1907 – 1993)

Abertura Concertante

ANTONIO RIBEIRO (1971)

Concertino para Fagote e Orquestra de Câmara

FRANCISCO MIGNONE (1897 – 1986)

Concertino para Fagote e Pequena Orquestra

FELIX MENDELSSOHN (1809-1847)

Sinfonia n.º 3 em Lá menor, Op. 56, “Escocesa”

Serviço

Orquestra Sinfônica de Campinas

Wagner Polistchuk, regente

Fábio Cury, solista (fagote)

Quando:

sábado, 22 de julho, 20h

domingo, 23 de julho, 11h

Onde: Teatro Castro Mendes (Praça Correa de Lemos, s/n. Vila Industrial. Campinas). Telefone (19) 3272-9359.

Ingressos:

sábado – R$30,00 (inteira), R$ 15,00 (estudantes, aposentados), R$ 10,00 (professores das escolas públicas e privadas de Campinas e das cidades da Região Metropolitana, pessoas com mobilidade reduzida e portadores de deficiências), R$ 5,00 (estudantes das redes municipal e estadual).

domingo – valor promocional: R$ 6,00 (inteira), R$ 3,00 (meia entrada); R$ 2,00 (professores das escolas públicas e privadas de Campinas e das cidades da Região Metropolitana, pessoas com mobilidade reduzida e portadores de deficiências); R$ 1,00 (estudantes das redes municipal e estadual).

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