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Estiagem pode ser tão severa como em 2014 e 2015

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Saad explicou que a perspectiva de que haja um período de estiagem mais agudo se dá por conta do fenômeno La Niña - Foto: Consórcio PCJ/Divulgação
Saad explicou que a perspectiva de que haja um período de estiagem mais agudo se dá por conta do fenômeno La Niña – Foto: Consórcio PCJ/Divulgação

O período de estiagem, que vai de abril até o final de setembro, pode ser tão complicado em 2016 quanto foi em 2014 e 2015. Quem faz a avaliação é José Cezar Saad, coordenador de projetos do Consórcio PCJ (das bacias dos rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí). De acordo com ele, a região do consórcio está vivendo eventos extremos, ou seja, “quando tem período seco é extremamente seco e quando está no período úmido, está extremamente úmido”.

Saad explicou que a perspectiva de que haja um período de estiagem mais agudo se dá por conta do fenômeno La Niña. “É quando a água do Oceano Pacífico esfria mais que o normal e provoca períodos mais secos no sudeste exatamente quando deveria ter chuva, no verão, que vai de novembro a fevereiro”, explicou.

Ele apontou que o fenômeno é o contrário do El Niño. “Ele acontece quando as águas esquentam demais e provocam correntes de ar no continente, que causam muitas chuvas e inundações, que foi o que ocorreu no último verão: muitas chuvas e alagamentos no sul.”

O coordenador comentou que há essa possibilidade porque no começo do ano passado o indicativo era de que o El Niño seria de fraca intensidade, mas no decorrer dos meses aumentou de intensidade. “Nesse ano estamos tendo a mesma coisa com a La Niña. Está esfriando muito. Os indicativos são de que será de baixa intensidade, mas pode mudar e provocar uma estiagem mais acentuada”, disse.

Segundo ele, é feito um monitoramento e acompanhamento das informações de meteorologia. “O fundamental do trabalho do consórcio é avaliar as circunstâncias, cenários e ir alertando. Quando, porventura, um desses cenários acontece, os órgãos devem estar preparados e algumas ações já devem ter sido adotadas”, detalhou.

Como exemplo dos eventos extremos, ele citou o mês de junho, que historicamente não tem muita chuva. “Mas em Campinas, em oito dias choveu 450 milímetros, quando a média era de 44 milímetros para o mês. Isso causa problemas e destruição”, apontou.

Ele alertou que a intenção é não deixar que a população relaxe ou fique desatenta com relação à economia de água. “Temos que continuar preservando, cuidando e sem desperdiçar. A disponibilidade na nossa bacia é crítica ao longo de todos os anos e vai continuar assim, pois é uma característica da região. Não temos tantos rios volumosos”, considerou.

“Hoje, a situação é mais grave do que quando começou a estiagem de 2014. Em 2013, o sistema estava com 57 metros cúbicos do volume útil, mas hoje estamos com 47 metros cúbicos, menos dez do que tinha em 2013. Não é uma situação crítica, mas não é confortável”, acrescentou Saad.

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Saiba mais

Segundo o coordenador de projetos do PCJ, toda a água que caiu nas chuvas ao longo desse ano “foi embora” pelo rio. “Caiu, caiu e foi embora porque não temos sistemas de armazenagem, barragens, reservatórios. Se o reservatório em Amparo, no Rio Camanducaia, e o outro em Pedreira, no Rio Jaguari, já tivessem sido construídos, eles estariam com 100% da capacidade com as chuvas desse ano e estaríamos um pouco mais tranquilos no novo período de estiagem”, explicou. “Os municípios da Bacia PCJ fazem a captação direta no rio. Se não tem água no rio não tem água para captar, diferente de Nova Odessa e Santa Bárbara, que têm reserva para o enfrentamento da estiagem. As construções não saem por questões políticas, dinheiro e é burocrático. Demanda investimento e negociação com os donos das áreas que serão alagadas”, comentou.

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Com informações do Jornal Tododia

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