Home»Campinas»Campinas teme caos por dengue

Campinas teme caos por dengue

0
Shares
Pinterest Google+

aedes_aegypti

Campinas contabiliza 973 notificações de dengue em janeiro, número que representa 51,2% do que foi notificado no mesmo período de 2015, ano em que houve a pior epidemia da doença na história da cidade. Apesar da melhora nos números, o Conselho Municipal de Saúde diz que os dados são preocupantes, que as medidas de prevenção estão atrasadas e que a expectativa é, mais uma vez, caótica para os moradores. No ano passado, foram 15 mortes e 64.778 casos confirmados.

O conselheiro municipal Gerardo Melo aponta que reduzir em 48,8% as notificações em janeiro não significa que a cidade acerta nas ações de combate, já que a comparação é feita com o pior ano do município em relação à doença. “Em tese, se nós tivemos em janeiro mais de 900 notificações, a expectativa é que esse número exploda nos meses que historicamente têm mais incidência de dengue, que são fevereiro, março e abril”, analisa.

Os dados foram divulgados pelo Centro de Vigilância Epidemiológica da Secretaria Estadual de Saúde, que reúne informações de todas as cidades de São Paulo. Campinas tem 38 casos confirmados até a publicação dos números e o restante se divide entre descartados e em investigação. Isso significa que o número ainda pode aumentar.

Melo diz, ainda, que as ações de combate foram anunciadas em atraso e deveriam ter sido colocadas em prática antes. “Se for comparar com 2015, (o número de casos) diminui, mas continua altíssimo. Significa que a cidade e a doença continuam fora de controle”, alega. O plano de ações para combate ao Aedes aegypti para o biênio 2015/2016 foi publicado em Diário Oficial somente em outubro do ano passado. Na época, a administração afirmou que as ações já eram colocadas em prática desde janeiro.

A maior entre as maiores

Campinas é a cidade com o maior número de casos notificados de dengue em janeiro deste ano entre as três cidades do Estado com mais de um milhão de habitantes, mesmo sendo a menos populosa delas. São 973 notificações no município, ante 651 da Capital, São Paulo, e 229 de Guarulhos.

A estimativa populacional de São Paulo em 2015 é de 11.967.825, segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Já Guarulhos tem 1.324.781 pessoas, enquanto Campinas chega a 1.164.098.

Se forem comparados os números de casos confirmados divulgados pela Secretaria Estadual de Saúde, Campinas, com 38, cai para segundo e é ultrapassada pela Capital, que tem 44 casos. Em Guarulhos são 34 confirmações em janeiro.

Faltam equipamentos

Em janeiro, um agente municipal de saúde que pediu para não ser identificada relatou à reportagem a falta de EPI (Equipamento de Proteção Individual) e de treinamento aos funcionários que combatem os criadouros de mosquito em Campinas. “A gente é obrigado a entrar em terrenos sujos e pegar em ferragem, pisar em prego sem os equipamentos”, afirmou.

Além disso, a Prefeitura de Campinas gastou 44,2% do previsto com a Vigilância Epidemiológica, setor da Secretaria de Saúde responsável pela prevenção e combate de doenças. O conselheiro municipal Gerardo Melo diz que o investimento menor que o esperado trará resultados negativos também em 2016.

Campinas vem de três anos consecutivos de epidemia de dengue. Em 2013, a cidade contabilizou 6.976 pessoas contaminadas, enquanto em 2014 foram 42.109 registros e dez óbitos. “Agora, a situação é muito mais grave, por que há o zika vírus, mas a prefeitura não fez o seu trabalho”, disse Melo.

A Prefeitura de Campinas não se pronunciou sobre os dados. A reportagem questionou se o número de notificações está dentro do previsto para a Secretaria de Saúde, mas não houve resposta.

[box type=”shadow” ]

Saiba mais

O ministro da Secom (Secretaria de Comunicação Social), Edinho Silva, disse que o governo vai investir até R$ 2 bilhões em ações de combate ao mosquito Aedes aegypti, transmissor da dengue, zika e chikungunya. “O governo vai terminar o ano gastando aproximadamente R$ 2 bilhões com prevenção. A presidente Dilma (Rousseff) tem dito que não tem limitação de recursos nesse embate. Nós precisamos derrotar o Aedes aegypti”, disse o ministro. O governo insiste na mobilização da população contra o mosquito e lembra que 80% dos criadouros estão nas casas, e pede apoio das famílias para acabar com eles.

[/box]

“Bicho de Estimação”

Há cerca de 50 anos, o Aedes aegypti iniciava um processo de transição de mosquito selvagem para urbano. Originário do Egito, o mosquito se dispersou pelo mundo a partir da África: primeiro para as Américas e, em seguida, para a Ásia. As teorias mais aceitas indicam que o Aedes tenha se disseminado para o continente americano por meio de embarcações que aportaram no Brasil para o tráfico de negros escravizados. Registros apontam a presença do vetor em Curitiba, no final do século 19, e em Niterói (RJ), no início do século 20.

Ao chegar às cidades, o Aedes passou a ser o responsável por surtos de febre amarela e dengue. A partir de meados dos anos 1990, com a classificação da dengue como doença endêmica, passou a estar em evidência todos os anos, principalmente no verão.
A infecção se dá pela fêmea, que suga sangue para produzir ovos. Uma vez infectado, o mosquito transmite o vírus por meio de novas picadas. O epidemiologista e secretário-geral da Sociedade Brasileira de Dengue e Arbovirose, Luciano Pamplona, disse que o Aedes aegypti já pode ser considerado um mosquito doméstico. “Ele é praticamente um bichinho de estimação”, disse Pamplona, que também é professor da Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Ceará.

Com informações do Jornal Tododia

Previous post

Corte do Orçamento de 2016 teria de ser 50% maior, diz consultoria

Next post

Com fim do horário de verão, consumidor deve tentar economizar energia

No Comment

Leave a reply

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *