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Reajuste da água no interior de São Paulo supera inflação

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Campinas, terceira maior cidade do Estado, que terá em fevereiro a terceira alta em apenas 12 meses.

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A alta em Campinas será de 10,95%. A conta já havia subido 11,98%, em fevereiro, e 15%, em agosto de 2015 – Foto: Renato César Pereira

Ao menos 2,15 milhões de moradores de seis municípios do interior de SP terão de arcar com aumento maior que a inflação na conta de água e esgoto neste começo de 2016.

Na lista está Campinas, terceira maior cidade do Estado, que terá em fevereiro a terceira alta em apenas 12 meses.

Jundiaí, Valinhos, Indaiatuba, Catanduva e Birigui também terão reajustes aplicados por prefeituras e empresas municipais de saneamento acima da inflação de 10,67%, medida pelo IPCA em 2015.

A crise hídrica é um dos motivos da onda de aumentos das tarifas de água.

O esvaziamento dos mananciais levou empresas e poder público a elevar gastos com captação e tratamento da água -afetado ainda pelo preço da energia. O faturamento também caiu devido à menor oferta de água.

Para os moradores atendidos pela Sabesp (estatal que abastece dois terços da população do Estado), a tendência é que a elevação da tarifa ocorra só a partir de maio.

A empresa ligada à gestão Alckmin (PSDB) diz não cogitar revisão antes desse mês.

MUNICÍPIO POPULAÇÃO AUMENTO % EM 2015 AUMENTO % EM 2016 NOVO VALOR (10m³, em R$)
Birigui 118.352 12 (jul) 27 (jan) 20,85
Bom Jesus dos Perdões 23.025 8,17 (jan) 29,14
Campinas 1.164.098 11,98 (fev) e 15 (ago) 10,95 (fev) 64,09
Catanduva 119.48 15 (jan) 10,78 (jan) 10,14
Indaiatuba 231.033 6,4 (jan) 18,29 (jan) 39,27
Jundiaí 401.896 6,59 (jan) e 16 (ago) 14,68 (fev) 44,41
Sumaré 265.955 9,53 (fev) 38,80
Valinhos 120.258 6,56 (fev) 13,85 (jan) 23,58
10,67% foi a inflação em 2015 medida pelo IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) – 10,48% foi a inflação nos últimos 12 meses (até novembro) medida pelo IPCA
– Fontes: AresPCJ, prefeituras e IBGE 

O último reajuste da Sabesp foi feito em maio de 2015, de 15,4%, seis meses depois de um outro aumento, de 6,5%, no fim de 2014.

“Há consenso no setor de saneamento de que a água é barata no Brasil. Mas há também, de modo geral, uma ineficiência muito grande das empresas”, afirma Édison Carlos, presidente-executivo do Instituto Trata Brasil.

Para ele, “não faz muito sentido” aumentar tarifa quando há cidades que perdem mais de 40% da água tratada nas tubulações da rede -na média do Estado, essas perdas superam 34%.

SEQUÊNCIA

O reajuste pelo interior neste começo de ano se estenderá ainda a outras cidades, como Sumaré e Bom Jesus dos Perdões, embora abaixo da inflação. Iracemápolis e Salto devem anunciar reajustes nos próximos dias.

A alta em Campinas será de 10,95%. A conta já havia subido 11,98%, em fevereiro, e 15%, em agosto de 2015. A Defensoria Pública do Estado de São Paulo avalia a possibilidade de ir à Justiça se detectar aumento abusivo.

Jundiaí também adotou o terceiro reajuste num período de 13 meses. A alta será de 14,68% a partir de fevereiro.

Já em Birigui, na região oeste do Estado, o aumento de 27% é o segundo em seis meses. O anterior tinha sido aplicado pela prefeitura em julho. A sequência assustou a população da cidade.

Apesar dos reajustes, em Campinas 13,3% da população não tinha coleta de esgoto em 2013, segundo o Instituto Trata Brasil, que avalia os serviços de saneamento nos municípios a partir de dados do governo federal. Mesmo entre os que tinham acesso ao serviço, apenas metade do esgoto era tratado.

Todo o esgoto produzido no imóvel da dona de casa Aparecida Generosa dos Santos, 61, moradora do Jardim Florence 2, na região noroeste de Campinas, vai para o córrego Piçarrão. Não há coleta nem tratamento.

Ela se revoltou ao saber do novo reajuste na conta. “Não dá mais para viver. Fica impossível arrumar dinheiro para pagar tanta conta assim. Não bastasse um, agora são três aumentos?”, disse.

REEQUILÍBRIO DOS CONTRATOS

Prefeituras e empresas de saneamento dos municípios paulistas alegam que o aumento da tarifa de água e esgoto é necessário para alcançarem o reequilíbrio econômico-financeiro.

Em Campinas, o reajuste foi solicitado pela Sanasa à AresPCJ (agência reguladora da região), que analisou as contas e fixou o aumento de 10,95%. A agência afirmou que os dois aumentos do ano passado consideraram a crise hídrica e a inflação.

No caso de Sumaré, o aumento estava previsto no contrato de concessão. Todos os municípios citados, com exceção de Catanduva e Birigui, são acompanhados pela AresPCJ.

Em nota, a Prefeitura de Catanduva informou que, apesar de os custos de operação terem superado a inflação, optou por reajuste próximo do índice inflacionário e inferior ao reajuste da energia elétrica, apontada como a maior despesa do município na prestação do serviço.

A Prefeitura de Birigui informou que o reajuste foi adotado após análise que apontou insuficiência da tarifa para cobrir despesas e reajustes da energia elétrica. A prefeitura também disse que poderá fazer novos investimentos com a entrada de mais recursos.

Com informações do Jornal FSP

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