Home»RMC»Prefeituras da RMC não estocam água das chuvas

Prefeituras da RMC não estocam água das chuvas

0
Shares
Pinterest Google+
Represa Salto Grande, em Americana-SP
Represa Salto Grande, em Americana-SP

Apesar dos dois últimos meses de 2015 registrarem chuvas mais abundantes do que a média histórica para o período, poucas prefeituras da RMC (Região Metropolitana de Campinas) conseguiram se preparar para estocar parte dessa água e reutilizá-la. As dificuldades dos municípios esbarram na crise econômica e também na burocracia para liberação de tais obras. Diante desse cenário, especialista aponta que seria necessário que a população investisse em equipamentos hidrossanitários que economizem água. Porém, novamente existe o empecilho econômico, já que esses produtos possuem preço mais elevado do que os convencionais.

De acordo com o IAC (Instituto Agronômico de Campinas), órgão vinculado à Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, o mês de novembro registrou 189mm (milímetros) de chuva em Campinas, valor 21,6% maior do que a média histórica dos últimos 30 anos para o período, que é de 155,4mm. Já em dezembro, até o dia 29, já havia chovido 228,6mm, que já superava em 7,1% a média histórica do mês, que é de 213,4mm.

Segundo a gerente técnica do Consórcio PCJ (Consórcio Intermunicipal das Bacias dos Rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí), Andréa Borges, muitas cidades tiveram dificuldade em desenvolver projetos nessa área por motivos econômicos e burocráticos.

“Além da dificuldade em conseguir recursos financeiros através dos governos estadual e federal por causa da crise econômica, outro problema é a questão burocrática. Muitas cidades estão com processos há cinco anos ou mais no Daee (Departamento de Água e Energia Elétrica de São Paulo) esperando liberações de licenças e outorgas. O consórcio tem trabalhado nisso, para agilizar o processo”, explicou Andréa.

Apesar das dificuldades, a profissional lembra que cinco cidades da RMC tiveram obras para melhorar o fornecimento de água para a população. “Indaiatuba construiu um reservatório novo de água. Nova Odessa conseguiu desassorear uma de suas represas. Jaguariúna e Holambra construíram bacias de captação de água em estradas rurais para aproveitar a água da chuva. E Valinhos inaugurou a nova estação de tratamento de água, ampliando sua capacidade e pondo fim há um longo período de rodízio d’água”, citou.

O outro lado

Sobre a demora para a análise dos pedidos de outorga, o Daee informou que o número de processos cresceu nos últimos anos. Para agilizar essas análises, o departamento está desenvolvendo uma plataforma online que auxiliará no trabalho. “A expectativa é colocá-la em operação no primeiro trimestre de 2016”, garantiu o órgão. Sobre os valores necessários para o investimento na construção dos piscinões, o Daee afirmou que eles variam de projeto para projeto.

Através da assessoria de imprensa, a Prefeitura de Americana alegou que não há “viabilidade técnica” nem espaço físico na cidade para um projeto de aproveitamento de água de chuva ou represamento. Já em Campinas, a Sanasa (Sociedade de Abastecimento de Água e Saneamento) afirmou que está elaborando um projeto para a construção de um reservatório de água bruta na cidade. Porém, maiores detalhes e datas não foram divulgadas.

Em Nova Odessa, além do desassoreamento das represas, a prefeitura está elaborando um projeto de armazenamento de água de chuva em prédios públicos para 2016.

Hortolândia e Sumaré não possuem, no momento, projeto para armazenamento ou reaproveitamento de água de chuvas.

Professor aponta reservatórios rurais e materiais para economia doméstica como alternativas

Apontado como solução para o problema de enchentes e até mesmo para armazenamento de água, os piscinões não são a alternativa mais viável na opinião do professor de hidrologia e recursos hídricos da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) Antônio Carlos Zuffo. Além do alto investimento, a praticidade do empreendimento é questionada pelo especialista.

“Não acho viável. A água vem lavando toda a cidade e traz poluentes, óleo de automóvel, fumaça dos carros com metais pesados. Tudo vai para o piscinão. Se você armazena para abastecimento, você não consegue tratar esse volume de água e disponibilizar em um dia. Se chover em um dia e também no seguinte, esse mecanismo de contenção de enchentes já não funciona tão bem”, opinou.

O especialista aponta também que, nesse primeiro momento, o recomendado seria que as prefeituras investissem na construção de reservatórios de água em áreas rurais. “É uma opção mais barata por não estar na cidade. Você constrói o reservatório para regularizar a vazão e tem uma água mais limpa do que do piscinão”, ponderou.

Devido à crise financeira e a dificuldade dos municípios desenvolverem projetos para aproveitamento da água das chuvas, outra alternativa levantada por Zuffo seria a população investir em equipamentos hidrossanitários que economizem mais água. Entretanto, o valor de tais produtos pode afastar a grande maioria dos consumidores.

“Existem vasos sanitários que dão descarga atualmente só com dois litros de água. Um convencional, com a válvula da descarga da parede, puxa cerca de 20 litros de água. O problema é que são equipamentos mais caros. Deveria existir um estímulo por parte do governo federal para reduzir impostos e baratear esses equipamentos. Paralelamente, também deveria ser desenvolvido um sistema de classificação de economia de água, como acontece com os eletroeletrônicos com os selos de economia de energia elétrica. Assim a população saberia que está adquirindo um equipamento mais econômico”, afirmou Zuffo.

[box type=”shadow” ]

Economize água

Torneira com arejador – redução de até 80% no consumo de água

Descarga com fluxo duplo – redução de até 60% por descarga

Reparo para torneiras – economia de até 46 litros de água por evitar que a torneira fique pingando

Vaso sanitário com caixa acoplada – economia de até 17 litros de água por descarga

[/box]

Com informações do Jornal Tododia

Previous post

Estre Ambiental diminui tempo de descarregamento no aterro

Next post

Exames para detecção de dengue e chikungunya passam a ter cobertura obrigatória

No Comment

Leave a reply

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *