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Saúde inicia bloqueio contra raiva em Barão Geraldo

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A Secretaria de Saúde de Campinas inicia nestas quinta e sexta-feira, dias 17 e 18 de dezembro, um plano de ação contra a raiva nos bairros Cidade Universitária I, Vila Modesto Fernandes, Centro e Burato, todos no distrito de Barão Geraldo, região norte do município. As atividades serão desencadeadas em virtude da confirmação de três casos de raiva em um morcegos, em novembro e dezembro, pelo laboratório do Instituto Pasteur, referência para a doença no Estado de São Paulo. Tratam-se de morcegos insetívoros (das espécies Nyctinomops laticaudatus e Myotis nigricans) e frugívoros (da espécie Artibeus lituratus).

As ações serão realizadas em conjunto com a Vigilância em Saúde Norte, em parceria com o Centro de Saúde Barão Geraldo.

De acordo com o médico veterinário Felipe Vita Pedrosa, da Vigilância em Saúde Norte, estão programadas atividades de informação e educação em saúde e visita a médicos veterinários da região e levantamento da população de cães e gatos da área a ser trabalhada com o objetivo de avaliar da cobertura vacinal contra a raiva.

É importante informar médicos veterinários, tanto no sentido de aumentar a sensibilidade para a detecção da doença em cães, gatos e animais de produção, como para que os mesmos adotem todas as medidas preconizadas para o manejo dos animais e façam encaminhamento de animais suspeitos de raiva que vierem a óbito para diagnóstico no Instituto Pasteur”, explica Vita.

Médicos veterinários, pesquisadores e tratadores de animais são pessoas com maior risco de exposição ao vírus rábico durante atividades ocupacionais e devem receber profilaxia de pré-exposição para a raiva, realizada com vacinas e posterior sorologia com resultado satisfatório.

Além disso, serão feitas visitas de casa em casa nas áreas de possível trânsito dos morcegos, com levantamento do número de cães e gatos e da situação vacinal dos mesmos, com orientação à população através de folhetos informativos.

Na ação estarão envolvidos aproximadamente 35 servidores públicos, que trabalharão em uma área de abrangência de 65 quarteirões.

Situação em Campinas

A raiva é uma doença causada por um vírus que pode atingir todos os mamíferos (inclusive os humanos) sendo, portanto, uma zoonose. É causada por um vírus que confere letalidade próxima a 100%. A transmissão ocorre quando o vírus da raiva existente na saliva do animal infectado penetra no organismo, através da pele ou mucosas, por mordedura, arranhadura ou lambedura, mesmo não existindo necessariamente agressão.

Em Campinas, o último caso de raiva humana foi registrado no ano de 1981. Em 2014, foi diagnosticado um felino com raiva, na área de Nova Aparecida (também parte da região Norte), e em 2015, no Jardim Aeroporto, na região Sudoeste, foi diagnosticado um cão com raiva. Em ambos os casos (cão e gato positivos para raiva em Campinas), foi verificado laboratorialmente se tratar de variante viral proveniente de morcegos.

O município tem registrado em sua área urbana uma média de dez casos de raiva em morcegos não hematófagos anualmente, além de casos em bovinos, equinos e morcegos hematófagos na área rural. Em 2015, até o momento foram diagnosticados seis casos de raiva em morcego.

Segundo o Instituto Pasteur, no Brasil, em espaços urbanos, o principal transmissor da raiva para o homem é o cão, seguido do gato. Em espaços rurais é o morcego. “Nossa maior preocupação é por conta do ciclo aéreo da doença (ou seja, o vírus circulando entre os morcegos). Por isso, é muito importante que as pessoas mantenham os cães e gatos vacinados anualmente contra a raiva e domiciliados, pois podem ocorrer casos de raiva em humanos através de agressões provocadas por cães e gatos infectados com o vírus rábico transmitido por morcegos”, conta Vita.

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