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Produção do etanol de segunda geração deve alcançar 10 milhões de litros até o final do ano

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A produção do etanol de segunda geração (2G), obtido a partir do bagaço e da palha da cana-de-açúcar, deve alcançar entre 10 milhões e 15 milhões de litros até o final deste ano, estima a Raízen.

A planta voltada à produção do biocombustível celulósico foi inaugurada na última quarta-feira (22/07) em Piracicaba e recebeu investimentos de R$ 237 milhões, parte deles com financiamento do BNDES (Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social).

Integrada à Costa Pinto, a nova unidade iniciou as operações em novembro do ano passado, produzindo cerca de 1 milhão de litros do biocombustível em um primeiro momento. Após todas as adaptações, na próxima safra, em 2016, a usina deve atingir sua capacidade total de processamento, que gira em torno de 40 milhões de litros por ano.

A planta de etanol 2G é a primeira do grupo a dispor desta inovação e a única no país a funcionar de forma integrada a uma usina de primeira geração. O objetivo da Raízen agora é construir mais sete unidades do tipo, em um investimento que deve passar de R$ 1,5 bilhão e será suficiente para ampliar em 50% sua capacidade de produção de etanol até 2024.

“No próximo ano, devemos preencher toda a planta e chegar a 40 milhões de litros”, informou Pedro Mizutani, vice-presidente de Etanol, Açúcar e Bionergia da Raízen. “Temos ainda oito plantas a serem construídas e acreditamos que possa levar de dois a quatro anos para que a tecnologia amadureça. Assim que conseguirmos mostrar que sua eficiência é viável, começaremos a construir uma segunda planta”, disse.

O diretor de produção da Raízen, Antonio Stuchi, afirmou que os custos de obtenção do etanol de segunda geração ainda são superiores aos de primeira geração, mas devem se igualar dentro dos próximos quatro anos. Ele reforçou que, mesmo com as primeiras produções do biocombustível celulósico no país, as pesquisas relacionadas à tecnologia — que tem parceria com Iogen Energy — não param e novas adaptações no manuseio do bagaço da planta estão sendo realizadas.

“A usina já produziu 1 milhão de litros até agora, mas estamos em uma fase de adaptação, de treinamentos. Ainda falta uma fermentação para ser construída, mas ao final da próxima safra chegaremos perto da capacidade nominal da planta”, afirmou.

INOVAÇÃO — Os investimentos para produção de etanol celulósico serão feitos com afinco pelo grupo, citou o presidente do Conselho da Cosan e Raízen, Rubens Ometto Silveira Mello.

“A Raízen enxerga potencial enorme em aumentar a produção de etanol celulósico nos próximos anos, mas sem perder de vista o retorno de nossos investimentos. Temos a certeza de que o etanol celulósico poderá competir de igual para igual com o etanol de primeira geração, aumentando o aproveitamento da nossa biomassa e ajudando a diversificar ainda mais a nossa matriz energética”, disse.

UNICA — A diretora-presidente da Unica (União da Indústria da Cana-de-Açúcar), Elizabeth Farina, reforçou que a inauguração da usina de etanol 2G da Raízen é um grande passo na direção da retomada do setor sucroenergético brasileiro.

“É um momento especial, a concretização de um processo de investimento muito grande e que envolve um alto risco. Neste momento, (a inauguração) representa um passo importante do Brasil na consolidação de sua posição, que já é de liderança junto com os Estados Unidos, na área de combustíveis renováveis líquidos”, afirmou.

GOVERNADOR VÊ USINA COMO NOVO MARCO PARA O PAÍS — O governador Geraldo Alckmin (PSDB) considerou a inauguração da usina de etanol de segunda geração, pela Raízen, um marco na história do país e citou a década de 70 e a crise do petróleo, quando foi criado o pró-álcool.

“Depois de 40 anos se tem esse outro momento histórico do ponto de vista estratégico para o país e do ponto de vista da inovação, já que o etanol 2G tem importância ambiental”, disse.

Alckmin elencou fatores que contribuem para a consolidação da nova tecnologia, entre eles a discussão de energias renováveis e a geração de empregos. “A cadeia sucroalcooleira em São Paulo conta com 500 mil empregos em dois terços dos municípios paulistas”, disse.

O governador apontou como fundamentais as possibilidades de substituição da importação da gasolina, a redução da poluição, e a ampliação na produção do etanol em 50% na mesma área plantada.

Foram citadas ainda medidas do governo estadual para incentivo do setor, como a extinção dos tributos para Retrofit (modernização de plantas) e para troca de caldeiras e bobinas para produção de energia elétrica e a redução do ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) para alcoolduto.

“Simplificamos toda a área tributária para facilitar parcerias dos produtores e usinas, para que possam produzir eletricidade”, disse.

O prefeito Gabriel Ferrato (PSDB) citou que Piracicaba contribui com o Brasil e o planeta com a nova tecnologia. “Essa inovação se coloca como uma alternativa de energia renovável muito menos poluente que o combustível fóssil”, disse.

Com relação a geração de empregos, Ferrato apontou que caso a política nacional de preços relativos aos combustíveis acabe beneficiando o etanol, sem artificialismos, “Piracicaba volta a ter possibilidade de empregos em sua indústria”. “Agora, caso a política não mude, não. Mas creio que esse avanço aqui demonstrado, com a presidente e o governador presentes, e sabendo da importância do que está sendo feito aqui, o olhar também muda”, afirmou.

AUTORIDADES E LIDERANÇAS PRESTIGIAM EVENTO — Autoridades e lideranças políticas ressaltaram a importância da inauguração para o setor sucroenergético.

Entre os presentes estavam vereadores, secretários municipais, sindicalistas e representantes também de outros municípios. Para o presidente da Afocapi (Associação dos Fornecedores de Cana de Piracicaba), José Coral, esse é um momento de grande destaque para a produção de etanol, já que o subproduto da cana-de-açúcar, antes “jogado fora”, agora é utilizado.

“A Raízen saiu na frente. Temos condições de ter competitividade e um produto limpo. Com certeza, a vinda da presidente vai ajudar no reconhecimento do setor”, disse.

O secretário de Estado de Emprego e Relações do Trabalho, José Luiz Ribeiro, afirmou que a usina é fundamental para a inovação. “Piracicaba é um exemplo para o mundo na renovação do biocombustível e agora será referência na França (devido à conferência sobre o clima) no final do ano”, disse.

Para o presidente da FDE (Fundação de Desenvolvimento para a Educação) e ex-prefeito Barjas Negri, que acompanhou o evento, a presença da presidente Dilma Rousseff (PT) e do governador Geraldo Alckmin (PSDB) no evento “mostrou a importância do setor na economia nacional”.

Logo na entrada do complexo da Raízen, um grupo de simpatizantes do PT segurava bandeiras e membros do acampamento Nelson Mandela, do MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra), empunhavam cartazes pedindo à presidente “reforma agrária” em Piracicaba.

Dilma foi de helicóptero e ao término da cerimônia foi embora sem se dirigir à imprensa, que ficou alocada em um espaço específico, sem poder circular pelo evento. O presidente do PT, Roberto Felício, apontou que a nova planta representa o esforço “que o governo vem fazendo, com o uso do BNDES, e o empreendedorismo do empresariado brasileiro”.

Para o vereador pelo PT, José Antonio Fernandes Paiva, a nova usina representa “a ousadia da Raízen, sendo compartilhada com o incentivo do governo federal”

Com informações do Jornal de Piracicaba

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