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Cantareira enfrenta mês mais seco do ano

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Estiagem nas represas está batendo recorde de janeiro; manancial deverá fechar com déficit pela terceira vez em 2015

Represa do Rio Atibainha no Sistema Cantareira, em Nazaré Paulista - Foto: Renato César Pereira
Represa do Rio Atibainha no Sistema Cantareira, em Nazaré Paulista – Foto: Renato César Pereira

Com entrada média de água 39% menor do que a registrada em junho, o Sistema Cantareira atravessa o mês mais seco do ano. A estiagem nas represas que abastecem 5,2 milhões de habitantes na Grande São Paulo está batendo o recorde de janeiro. O manancial deverá fechar com déficit pela terceira vez em 2015.

Segundo boletim divulgado pela Agência Nacional de Águas (ANA) e pelo Departamento de Águas e Energia Elétrica (DAEE), órgãos gestores do manancial, o Cantareira recebeu até esta quinta-feira, 23, uma média de 8,3 mil litros por segundo, 67% abaixo do esperado para julho (25,2 mil l/s). Em junho, a vazão afluente foi de 13,6 mil l/s.

O recorde negativo era de janeiro (8,5 mil l/s), quando o sistema chegou ao nível mais crítico da história, com -23% da capacidade. Ontem, o índice estava em -10,4%, um ponto porcentual pior do que fechou junho.

Parte do cenário se explica pela falta de chuva, até agora 44% abaixo da média, que é de 50 milímetros. Nos últimos dez dias, por exemplo, o sistema registrou menos de 1 milímetro.

Outro motivo é o aumento de 11,6 mil l/s para 13 mil l/s na retirada de água para a região de Campinas. No período, a Sabesp não reduziu a captação para a região metropolitana, resultando em um déficit de 400 milhões de litros por dia.

O saldo só é positivo se comparado com julho de 2014, quando o sistema passou a operar integralmente no volume morto. Naquele mês, o Cantareira recebeu apenas 4,2 mil l/s e perdeu 22,9 mil l/s, um déficit de 50 bilhões de litros no mês.

Segundo o presidente da Sabesp, Jerson Kelman, “foi possível fechar a torneira (por meio da redução da pressão da água e do fechamento manual da rede) porque as obras (emergenciais) foram feitas”, disse, anteontem, em encontro com empresários paulistas. Ele afirmou que o sistema estava “andando de lado” nos últimos meses e agora, na estiagem, “é óbvio que vai cair”.

De acordo com Kelman, contudo, simulações recentes feitas pela empresa mostram que, mesmo que o sistema receba nos próximos meses 20% menos água do que em 2014, o Cantareira não voltará a operar na segunda cota do volume morto, recuperada em fevereiro.

Agência Estado

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