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Para ampliar oferta de água, SP planeja construir ‘Cantareira caipira’

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PCH Macaco Branco, no Rio Jaguari, será inundada com a construção da nova barragem - Foto: Renato César Pereira
PCH Macaco Branco, no Rio Jaguari, será inundada com a construção da nova barragem – Foto: Renato César Pereira

O governo do Estado planeja alagar uma área equivalente a 32 estádios do Maracanã para construir duas barragens, nos rios Jaguari e Camanducaia. O objetivo é ampliar a oferta de água na região de Campinas e reduzir a dependência do Cantareira.

O local, entre os municípios de Campinas, Pedreira e Amparo, vai ocupar uma área total de 13,5 km², dos quais 6 km² serão inundados.

Florestas e matas em recuperação, casarões de fazendas históricas e duas pequenas centrais hidrelétricas ficarão debaixo da água.

Os proprietários dos imóveis rurais –são ao menos 66- se dizem preocupados com o processo de desapropriação, como é o caso de Antonio Roberto Navarro, 59. Ele comprou há cinco anos uma chácara de 9.000 m² no local pensando na aposentadoria.

“Se tiver que sair daqui, vou querer ser indenizado pelo valor de mercado da minha casa e do terreno”, disse.

Os dois reservatórios, orçados em cerca de R$ 760 milhões, ficarão abaixo do Cantareira e serão interligados por adutoras que levarão água para Campinas e outras cidades da região, como Valinhos e Vinhedo. O valor das obras, incluindo as adutoras, chegará a R$ 1 bilhão.

Com isso, segundo o governo, os municípios das bacias dos rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí terão uma vazão regular de 14 mil litros de água por segundo, reduzindo a dependência do Cantareira. Hoje, eles recebem até 5.000 litros por segundo do sistema.

O professor da Unicamp Antonio Carlos Zuffo, especialista em hidrologia, diz que o projeto é importante, mas defende mais investimentos no tratamento de esgoto para reduzir os custos para fornecimento de água.

Já o ativista ambiental Paschoal Loner, 53, cobra alternativas de menor impacto. “Existem outras áreas. Aqui temos muitos animais nas matas e próximos dos rios. Além disso, há riscos de acidentes atingirem a cidade.”

O projeto está em fase de estudos de impacto ambiental, necessários para a licitação da obra, que ficará a cargo do Daee (Departamento de Águas e Energia Elétrica).

O início das obras está previsto para o segundo semestre, mas ainda não há recursos empenhados. O governo Geraldo Alckmin (PSDB) pretende obter o dinheiro do governo federal e trabalha com prazo de conclusão em 2018.

ETAPAS

Em nota, o Daee informou que o projeto executivo e os estudos de impacto ambiental deverão ser concluídos até junho. Em seguida, serão encaminhados à Cetesb (companhia ambiental do Estado), para obtenção das licenças.

O departamento informou ainda que os locais foram definidos a partir de amplo estudo e que está realizando levantamento cadastral e avaliação de mercado dos imóveis para a desapropriação.

As áreas foram declaradas de utilidade pública em decreto de fevereiro de 2014.

O Ministério das Cidades informou que já foram realizadas reuniões entre técnicos dos governos, que aguarda o envio do projeto para análise e que só depois será possível saber todos os custos.

Com informações da FSP

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