Home»RMC»Crise hídrica: consumo menor se torna entrave para investimentos

Crise hídrica: consumo menor se torna entrave para investimentos

0
Shares
Pinterest Google+
Rio Piracicaba, em Americana-SP, no encontro das águas do Rio Jaguari e do Atibaia
Rio Piracicaba, em Americana-SP, no encontro das águas do Rio Jaguari e do Atibaia

A redução no consumo de água, tão pedida e estimulada pelas prefeituras em função da crise hídrica, virou uma faca de dois gumes: a população realmente passou a economizar, mas, por causa disso, as autarquias que cuidam do abastecimento passaram a arrecadar menos.

E é justamente este o desafio de municípios neste período de estiagem oficial, iniciado neste mês: investir em obras de reservação de água e redução de perdas com menos dinheiro em caixa.

Apesar de não divulgar números, a Ares-PCJ, agência reguladora que atua em alguns municípios da RMC (Região Metropolitana de Campinas), admite que a arrecadação sofreu queda em função da economia.

Andrea Borges, gerente técnica do Consórcio PCJ (Consórcio Intermunicipal das Bacias dos Rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí), explicou que, em função da falta de investimentos na distribuição e captação dos recursos hídricos por muito tempo, o momento dificulta ainda mais planos de melhorias a curto e médio prazo.

“A água não foi prioridade por muito tempo, tem municípios cuja tubulação tem 80 anos e por uma questão cultural, se investiu pouco na área. Por isso o índice de perdas é muito alto”, disse.

“Nesse momento de queda em recursos e encarecimento no preço da energia, por exemplo, fica mais difícil fazer investimentos.”

A criação de novos reservatórios, por exemplo, não é simples nem rápida. Andrea cita que a construção de uma represa em Pedreira, tida como obra emergencial, deve ficar pronta somente em 2018. Em Indaiatuba, somente em julho será inaugurado um reservatório que começou a ser construído em 2013.

Mesmo com a perda de receita, os municípios seguem recomendando baixo consumo da população. Cidades cujos reservatórios estão cheios, como Valinhos e Indaiatuba, seguem fazendo manobras – como controle de pressão – e adotando medidas para reduzir o consumo de água.

CAPTAÇÃO

A forma de captação de cada município criou uma situação diferente entre eles.

Enquanto as cidades com represas e reservatórios têm a situação um pouco melhor, em função das chuvas dos últimos dois meses, as que dependem da captação dos rios acompanham a situação do Sistema Cantareira, que vem liberando uma quantidade de água ainda menor do que a registrada no mesmo período no ano passado.

“A principal preocupação com o período de estiagem é com os municípios que não têm reservatórios e captam diretamente dos rios, pois vão depender da chuva”, disse a especialista do Consórcio PCJ.

Andrea explicou que houve quedas no consumo de água, mas se não houver chuvas, elas podem não ser suficientes para evitar novos racionamentos.

PREOCUPAÇÃO

O presidente do DAE (Departamento de Água e Esgoto) de Americana, Leandro Zanini, disse que o acompanhamento dos níveis do Cantareira é a maior preocupação no momento, uma vez que a vazão dos rios das bacias PCJ depende da saúde do sistema, que abastece a Grande São Paulo.

Ainda que com queda na arrecadação, Zanini disse que Americana avançou no controle de perdas e vazamento. O município, no início do ano, instalou um sistema eletrônico de controle na distribuição, que evita a super-pressão e reduz a quantidade de vazamentos.

“Estamos trabalhando para melhorar a distribuição e diminuir perdas, mas diante da situação do Cantareira, a preocupação é constante.”

Para Andrea Borges, a situação de crise desde 2013 ainda tem vantagens. “Se essa crise tem uma parte boa é a mudança na forma de consumo das pessoas”.

Com informações do Jornal Tododia

Previous post

Processo sobre assassinato de Denis Casagrande volta para Campinas

Next post

Primeiro ponto de Wi-Fi gratuito de Cuba ajuda jovens a descobrir a internet

No Comment

Leave a reply

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *