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Obstáculos para estacionar complicam rotina de ciclistas

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 Problemas são encontrados em shoppings, escolas e prédios públicos

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Por Paulo Planta

O ciclista não tem vez em Campinas. Além de não contar com espaço exclusivo e respeito no trânsito, ele não tem onde deixar o veículo em locais de grande frequência de pessoas, como comércio, escolas e prédios públicos. Quem decide sair de casa pedalando para trabalhar, estudar, fazer compras e outras tarefas rotineiras não vai ter onde parar. Os transtornos são tantos que poucas pessoas recorrem a esse tipo de transporte, apontado como alternativa para melhorar a mobilidade urbana e as condições do ar nas grandes cidades.

Luis Carlos Rosa, presidente do Campinas Bike Clube, diz que não existem bicicletários na região central e que prédios públicos não têm um local adequado para as bicicletas. “Se quiser ir à prefeitura, por exemplo, não tenho onde parar”, diz. Ele cita a falta de estrutura para o ciclista o bicicletário da Rodoviária de Campinas. “Os poucos que se arriscam a deixar a bicicleta lá correm o risco de perdê-la”, avalia.

Glauco Azevedo, engenheiro civil e integrante do Movimento Pró-Ciclovias Campinas, recorre pouco à bicicleta para as atividades que não sejam de lazer. “Só uso quando sei que vou ter onde deixá-la no meu destino”, fala. E esses locais são limitados às casas de amigos e parentes, quase que exclusivamente. Rosa se diz frustrado, por exemplo, por não poder sair pedalando para as tarefas cotidianas.

A bibliotecária Isabella Pereira decidiu adotar a bicicleta como meio de transporte, já que se acostumou a usá-la para estudar, quando fez o curso de graduação na PUCCamp e agora que trabalha em uma das bibliotecas da Unicamp, que é uma exceção quando o assunto é o respeito ao ciclista. Além de vários bicicletários, a Unicamp tem ciclovias em seu campus de Campinas.

Isabella conta a última experiência frustrante que teve com a bicicleta, há cerca de duas semanas, quando decidiu ir pedalando até o Parque Dom Pedro Shopping. Ela foi barrada na entrada de pedestres da portaria 1, apesar de não existir nenhuma sinalização sobre a proibição de bicicletas. Ela argumentou que entraria de qualquer jeito e foi acompanhada por três seguranças até a portaria 4, onde existe um bicicletário que, segundo ela, é muito precário. Além de capacidade reduzida, na vaga oferecida para as bicicletas é preciso prender o veículo pela roda, o que vai causar danos no caso de alguém esbarrar no veículo e ele cair. Quando vai à região central e outros lugares, a bibliotecária diz que é obrigada a prender a bicicleta em postes e grades de prédios.

Alertado por outros ciclistas, a reportagem foi a outros dois shoppings verificar o espaço destinado para as bicicletas. No Galeria, não há vagas. A reportagem foi orientada a deixar o veículo no estacionamento para motos. Como não existe local exclusivo para a bicicleta, o segurança diz ao ciclista para prendê-la com a corrente nas grades laterais.

No Iguatemi, existem vagas, poucas e mal localizadas, e falta preparação para a segurança interna, talvez por causa da falta de experiência, já que são raras as pessoas que se arriscam a fazer compras pedalando. No primeiro dia, a reportagem foi de carro ao shopping e pediu orientação sobre onde poderia ser deixada uma bicicleta. Após uma reunião entre seguranças, a informação é que deveria ser usada a “entrada das docas”.

A reportagem voltou outro dia de bicicleta para testar a dificuldade de acessar o shopping naquele ponto. Dessa vez, no entanto, a orientação foi para usar o estacionamento das motos. Lá, o ciclista também é obrigado a prender a bicicleta nas telas. Segundo a assessoria de imprensa do shopping, os guardas adotaram o procedimento errado. O local para as bicicletas é outro.

Escolas

Se depender de Educação, o campineiro não vai se acostumar tão cedo a usar a bicicleta como meio de transporte. Isso, porque as principais escolas da cidade não incentivam alunos a pedalar. A reportagem consultou vários colégios e nenhum deles tem espaço reservado para bicicletas.

Uma educadora do Culto à Ciência, por exemplo, disse que a bicicleta seria um fator a mais de preocupação na escola. Por isso, os alunos não são incentivados a usá-las. Ela disse que lecionou em uma escola de outra cidade que tinha um bicicletário. Lá, segundo ela, os furtos eram constantes, o que acabou exigindo o fim das vagas de estacionamento para bicicletas. Na Escola Técnica Estadual Bento Quirino existem alunos que vão de bicicleta estudar, mas são poucos. Até um professor usa, eventualmente, o veículo como meio de transporte. Nesse caso, eles improvisam locais para deixar os veículos.

Shoppings citam melhorias

Tanto no Iguatemi, quanto no Galeria, após as dificuldades apontadas pela reportagem, a informação é de que os centros de compras vão investir na melhoria para o acesso de ciclistas. “O Shopping Center Iguatemi Campinas informa que o bicicletário do empreendimento tem capacidade para abrigar até 14 bicicletas e está localizado ao lado do viveiro de plantas, em área próxima a uma das entradas para o mall. O shopping já está executando serviços de melhoria na sinalização e possui planos para a ampliação do serviço”, diz nota encaminhada para o jornal.

No Dom Pedro, a assessoria informou que mantém um bicicletário próximo à Entrada das Pedras, com acesso exclusivo pela entrada 4. Por questões de segurança, a equipe do shopping realiza o acompanhamento dos ciclistas, caso usem outra entrada. “O Parque D. Pedro informa ainda que, como o uso da bicicleta como alternativa de mobilidade urbana já é uma realidade, está trabalhando na implantação de melhorias no serviço ainda este ano”, diz trecho de nota encaminhada à reportagem.

A Socicam, empresa que administra a Rodoviária de Campinas, vai avaliar a queixa feita por ciclistas e informa que pretende, a partir delas, estudar a implantação de um serviço diferenciado para estacionamento de bicicletas. A empresa informa que tem oito vagas para ciclistas e que o local é monitorado por câmeras do Circuito Fechado de Televisão, além de fazer parte do monitoramento feito pelos funcionários, por meio de rondas. Segundo a empresa, não há registros de furtos no local.

Emdec

Sobre a falta de vagas para bicicletas na região central de Campinas e em prédios públicos, a Emdec (Empresa Municipal de Desenvolvimento de Campinas) informou que estuda propostas para implantação do Plano Cicloviário Municipal. Segundo a empresa, os trajetos para a construção de ciclovias estão em estudo e que há bicicletários previstos para toda a rede. “Conforme a Administração municipal investir na bicicleta como meio de transporte e a sociedade também incorporá-la, mais edificações públicas e da iniciativa privada passarão a disponibilizar esses espaços”, diz trecho de nota encaminhada pela Emdec ao jornal.

Cicloativistas vão pressionar Legislativo

Os cicloativistas de Campinas, que estão mobilizados para exigir da prefeitura a construção de 100 quilômetros de ciclovias prometidos em campanha pelo prefeito Jonas Donizette (PSB), vão agora pressionar a Câmara para aprovação de um projeto de lei elaborado pelo gabinete do vereador Jorge Schneider, que obriga grandes centros comerciais de Campinas a terem bicicletários. O projeto, que prevê a destinação de 10% da capacidade para carros a ciclistas, recebeu uma emenda do vereador Pedro Tourinho (PT), que alterou de dez para 20 unidades o número mínimo de vagas destinadas para as bicicletas.

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