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Peixes morrem na Lagoa do Taquaral que aguarda limpeza desde 2011

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Peixe morto na Lagoa do Taquaral, em Campinas: prefeitura, agora, promete o desassoreamento do manancial para março - Foto: Paulo PLanta
Peixe morto na Lagoa do Taquaral, em Campinas: prefeitura, agora, promete o desassoreamento do manancial para março – Foto: Paulo PLanta

A mortandade de peixes e a coloração esverdeada, que aumentaram desde o início do verão, estão assustando frequentadores da Lagoa do Taquaral, no Parque Portugal, a mais importante área de lazer de Campinas. O cenário se repete desde o início do ano passado, apesar de o prefeito Jonas Donizette (PSB) ter anunciado, no dia 1º de julho, que a lagoa passaria por um grande processo de desassoreamento, o que resolveria o problema.

Diante das reclamações de usuários incomodados pelo mau cheiro da água, o prefeito anunciou o início dos trabalhos para outubro, apesar de a obra ser de responsabilidade do governo do Estado, por intermédio do DAEE (Departamento de Água e Energia Elétrica), que prometeu investir R$ 20 milhões nos trabalhos. As placas instaladas pelo órgão no local, no entanto, não estipulam prazo para que a limpeza seja iniciada. Os frequentadores ainda aguardam o início dos trabalhos e pelo menos uma das placas já foi até pichada por vândalos.

A Secretaria de Serviços Públicos da prefeitura comunicou, por intermédio da assessoria de imprensa, novo prazo pra início dos trabalhos, em março. O Governo do Estado, no entanto, não confirma a informação. De acordo com nota encaminhada para a reportagem pelo DAEE, ainda estão sendo realizados estudos técnicos para a realização da obra. Só depois disso, segundo o texto, “serão tomadas todas as providências para dar início ao processo de licitação”. 

Sem o desassoreamento e sem outras medidas para impedir a proliferação de algas que, segundo o próprio secretário de serviços públicos, Ernesto Dimas Paulella, são as responsáveis pela mortandade, a situação começa a se agravar. Os peixes, a maioria tilápias, já podem ser vistos buscando a superfície da água, onde existe maior quantidade de oxigênio. Segundo usuários assíduos da área de lazer, funcionários que trabalham no local retiram diariamente exemplares que aparecem boiando. A reportagem esteve na Lagoa na terça-feira e na quarta-feira e encontrou duas tilápias mortas à margens do espelho d’água.

O montador Alcides Pereira disse que está frequentando o Parque Portugal desde que entrou em férias - Foto: Paulo Planta
O montador Alcides Pereira disse que está frequentando o Parque Portugal desde que entrou em férias – Foto: Paulo Planta

O montador Alcides Pereira disse que está frequentando o Parque Portugal desde que entrou em férias, há 20 dias, e que em alguns dias evita ficar perto de determinados pontos da lagoa. “O cheiro é desagradável”, fala. Perto dele, o estudante do curso de Geografia da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), Felipe Branquinho, diz que não vai muito ao local, mas que percebe a coloração esverdeada da água, “principalmente perto de onde ficam os pedalinhos”. Quanto ao desassoreamento, ele avalia como urgente. “Além do perigo para os peixes, a água da chuva da região vem para cá”, alerta. Branquinho está correto. São comuns os alagamentos na região do parque onde fica o kartódromo. Para o irmão dele, Luca, de 8 anos, as coisas são mais simples. “É só chover. Com mais água, os peixes não correm perigo e a sujeira some”, avalia.

O engenheiro Helio Ungari, gerente da Cetesb (Agência Ambiental de Campinas), recomenda desde o ano passado, pelo histórico de proliferações de algas e ocorrências de cianobactérias (microorganismos que obtêm energia por fotossíntese), que a prefeitura adote medidas de controle para evitar a proliferação.  Consultada pela reportagem, a Secretaria de Serviços Púbicos informou apenas que o desassoreamento começaria em março e que será necessário afundar a lagoa em mais seis metros de profundidade (hoje ela tem dois).

Desassoreamento de lagoa segue no papel - Foto: Paulo Planta
Desassoreamento de lagoa segue no papel – Foto: Paulo Planta

No papel

O desassoreamento da Lagoa do Taquaral foi anunciado em julho do ano passado, com direito a uma solenidade com as presenças do prefeito Jonas Donizette (PSB), do vice-prefeito Magalhães Teixeira, secretários municipais, vereadores, do superintendente do DAEE (Departamento de Água e Energia Elétrica), Alceu Segamarchi Júnior, além de frequentadores do espaço de lazer. A situação, naquela época, já era grave.

De acordo com estimativa feita pelo secretário de Serviços Públicos, Ernesto Dimas Paulella, seriam retirados do fundo da lagoa cerca de 206 mil m³ de areia e lodo, o que equivale a 30 mil caminhões. A maior parte desse material chega à lagoa por meio das galerias de águas pluviais.

 Para a limpeza do local, quando ela sair do papel, segundo a prefeitura, será utilizado o método de sucção, semelhante ao feito no rio Tietê, na Capital. À Prefeitura de Campinas, caberá dar apoio logístico à operação e fazer a fiscalização. O último desassoreamento total da Lagoa do Taquaral aconteceu em 1986. Em 2011, um outro processo foi iniciado mas não foi concluído.

 O Parque Portugal, mais conhecido como Lagoa do Taquaral, é um dos mais importantes espaços de lazer da cidade. Com espaços esportivos, recreativos e culturais, recebe uma média de 20 mil visitantes durante a semana, e, aos finais de semana e feriados, cerca de 50 mil pessoas.

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