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Instalação de antenas gera receio em vizinhança

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Questão reacende a polêmica sobre a utilização do equipamento na cidade

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Três antenas foram instaladas em galeria na Avenida Atílio Martini, próximo à Delegacia de Polícia, o 7° DP

Por Paulo Planta

A instalação de três antenas de telefonia celular no topo do prédio de uma galeria de salas comerciais na Avenida Atílio Martini, em Barão Geraldo, perto da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), está causando apreensão da vizinhança e reacende a polêmica sobre a utilização desse tipo de equipamento na cidade. E a população do distrito tem razão para se preocupar, uma vez que as regularizações seguem um ritmo lento na prefeitura e existe um número muito grande de equipamentos funcionando sem autorização em Campinas. A principal preocupação de quem reclama são possíveis danos causados à saúde pela exposição prolongada às radiações.

A instalação das antenas na galeria de Barão Geraldo começou há cerca de seis meses. Após reclamações de pessoas que passavam na rua, os operários começaram a trabalhar no período noturno, geralmente de madrugada. “Não pode ser uma coisa boa para a gente”, disse o comerciante Raimundo Serapião, que tem uma lanchonete na mesma rua. Ele disse que recebe diariamente perguntas de clientes sobre o funcionamento das antenas. “Digo que não sei de nada, porque não sei mesmo. A prefeitura poderia vir aqui conversar com a gente, para explicar o que está acontecendo. Muita gente diz que isso (as antenas) faz mal à saúde”, comenta.

Outro que reclama das instalações das antenas é o comerciário Fabio de Lima. “Fiquei sabendo que houve uma CPI para investigar a instalação das antenas e que não há certeza de que elas não sejam prejudiciais à saúde. Quem vai querer passar perto de um negócio desse?”, questiona. 

Para ajudar

O professor Ahmed El Dash, dono da galeria, disse que permitiu a instalação das antenas em seu prédio justamente para ajudar a população.
“O sinal de telefone e Internet é muito fraco no distrito e é preciso melhorar. Hoje, ninguém vive sem acessar a Internet ou usar um celular”, argumenta.

Fiscalização

Após as reclamações feitas à reportagem, a Secretaria de Urbanismo da Prefeitura de Campinas enviou técnicos ao local. Os fiscais constataram que as antenas ainda não estavam ligadas e que existe um pedido de licença na prefeitura. A secretaria informou que vai fazer novas blitze no local, enquanto não houver permissão para o funcionamento dos equipamentos.

As vistorias programadas para Barão Geraldo irão integrar um pente-fino que a prefeitura vai fazer a partir de fevereiro, para a regularização de antenas. A ideia é agilizar as legalizações, uma vez que no ritmo atual a administração levaria cerca de dez anos para “limpar” a cidade de antenas clandestinas. Campinas tem hoje aproximadamente 400 antenas de telefonia celular instaladas. Dessas, apenas 77 funcionam com autorização. Com uma média de 36 regularizações por ano, em 2013 e 2014, o período para normalização seria longo.

Segundo Moacir José Menegaldo Martins, diretor da Secretaria de Urbanismo, a burocracia para as permissões está diminuindo e o ritmo de regularizações vai aumentar. O alvo das fiscalização da prefeitura serão os proprietários já multados no ano passado, após a realização da CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) das Antenas, na Câmara de Vereadores. As empresas que foram autuadas receberão novas multas, se não tiverem atendido as exigências para poder funcionar. No ano passado, foram emitidas 346 autuações, com um total acima de R$ 450 mil. Com os proprietários buscando a regularização, como providenciar documentos, Martins acredita que a fila das legalizações vai começar a andar. Ele acredita também que os pedidos para novas antenas devem diminuir, já que as taxas para a instalação de antenas subiram este ano de R$ 279 para R$ 9,7 mil.

Malefício não é comprovado

Segundo Ricardo Cordeiro, professor da Faculdade de Ciências Médicas da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), doutor em epidemiologia e estudioso de emissão de radiação e eventuais e os efeitos dela na saúde das pessoas, não existem estudos conclusivos que possam comprovar que a exposição prolongada à radiação emanada pelas antenas de telefonia celular seja um fator que aumente a predisposição a doenças. Ouvido na CPI das Antenas, ele afirmou também que não existem estudos que comprovem que esta exposição não gera mal à saúde, e que em nome do princípio da precaução algumas medidas devem ser evitadas, como a instalação de várias antenas umas próximas às outras, ou próximas a hospitais e escolas infantis.

“Então, eu penso que a instalação de antenas perto de escolas, creches, deva ser uma coisa que deva ser vista com muita crítica e, na minha opinião, assim pensando do ponto de vista da saúde de ser evitada”, disse Cordeiro à CPI. Segundo ele, existe uma graduação da exposição. “Quanto mais longe do foco menor a exposição”, disse. Com base na afirmação, defendeu que as instalações perto de escolas e hospitais devem ser evitadas. O professor concluiu que se é inevitável a instalação de antenas por uma demanda social, devem ser contempladas áreas da cidade com menor potencial de exposição. “Se eu posso escolher uma área menos densamente povoada, isso aí deve ter prioridade sobre uma outra área mais densamente povoada”, argumentou.

Outro lado

José Américo Leite Filho, representante das operadoras de telefonia celular ouvido pela CPI, disse que não existe comprovação de que a exposição à radiação das antenas causa mal à saúde. Segundo ele, existem antenas instaladas em hospitais espalhados em todo o mundo. Disse também que as operadoras são obrigadas pela Anatel a atender a população e ampliar a área de cobertura, sob pena de sofrerem sanções legais.

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