Home»Campinas»Dias adicionais em conta de água fazem morador pagar mais

Dias adicionais em conta de água fazem morador pagar mais

0
Shares
Pinterest Google+

Consumidores relatam que três dias a mais foram incluídos na fatura deste mês, o que pode mudar faixa de consumo

Leiturista em casa de Campinas: serviço ocorreu com atraso neste mês, segundo moradores - Fotoi: Paulo Planta
Leiturista em casa de Campinas: serviço ocorreu com atraso neste mês, segundo moradores – Fotoi: Paulo Planta

Paulo Planta

O atraso de três dias na entrega da conta de água deste mês está gerando reclamações de consumidores de Campinas. Desde a segunda-feira, a conferência dos hidrômetros é feita em bairros de Sousas, Alphaville e Vila 31 de Março, entre outros. Moradores dessas localidades se queixam principalmente do fato de terem de pagar por um período mais longo de consumo, em uma época em que são obrigados a arcar com uma série de outras despesas. Os dias cobrados a mais também implicam, para alguns consumidores, mudar de faixa de consumo, o que acarreta num aumento do preço do metro cúbico utilizado.

Nos bairros visitados na segunda-feira, em Sousas, a leitura deveria ter sido feita na sexta-feira. A reportagem acompanhou o trabalho dos funcionários da Sanasa (Sociedade de Abastecimento de Água e Saneamento) o descontentamento de moradores. A irritação dos consumidores começa com o aviso estampado na conta, anunciando o aumento de 11,98% nas tarifas de água, esgoto e “demais serviços”, a partir de 5 de fevereiro. Alguns moradores do distrito avaliam que o atraso na leitura é intencional. “Com esse período a mais de cobrança, a conta vai ficar um pouco mais alta. Quando a tarifa com o aumento chegar, não vai dar muita diferença entre as duas”, diz um trabalhador da área de saúde, que pediu para não se identificar. “Para eles, também é melhor receber um valor maior um mês antes”, completou.

Esse consumidor foi alertado sobre o atraso na entrega da conta e, ao conferir, viu que tinha mudado de faixa de consumo. A média dele é de 20 metros cúbicos e passou desse limite. O problema é que quem consome entre 16 e 20 metros de água paga R$ 3,82 o metro. Quando sobre para faixa de 21 a 25, o valor sobre para R$ 3,90. Fazendo as contas, o usuário descobriu que está desembolsando um pouco mais de dinheiro. Gastando 20 metros cúbicos de água no período de 30 dias, ele pagaria R$ 3,82 o metro. Sua conta ficaria em R$ 57,86, já que tem direito a uma redução corretiva de R$ 18,54. Como pulou para 22, por causa do período mais longo de leitura, vai pagar R$ 3,90 o metro. Assim, sua conta sobre para R$ 65,66, incluído aí o volume maior de água, por causa da extensão do prazo de leitura. Isso, porque o fator redutor também sobe, para R$ 20,14. Se a Sanasa cobrasse R$ 3,82 pelo metro, o que seria justo, já que o consumo dentro dos 30 dias foi dessa faixa, o consumidor pagaria R$ 65,50. “É pouco, claro. Mas porque então não cobram para baixo?”, questiona o consumidor. “E tem o fato de pagar os dias a mais. Para mim, neste mês, qualquer quantia é importante”.

Segundo a Sanasa, a leitura pode atrasar, ou adiantar, dependendo dos finais de semana e feriados do mês. A Sanasa, no entanto, não informou em qual mês os leituristas teriam passado antes de 30 dias, o que teria beneficiado o consumidor e compensado o atraso de agora. A assessoria de imprensa também admite que os dias computados a mais na conta podem onerar o consumidor, mesmo que ele tenha consumido o seu limite dentro dos 30 dias. Em nota, a Sanasa informou que o consumidor que mudar para faixa de consumo por causa do período mais longo de leitura terá a cobrança maior apenas nos dias excedentes. Como o TodoDia constatou, o consumidor pagou R$ 0,16 a mais.

O aposentado José Maria Oliveira - Foto: Paulo Planta
O aposentado José Maria Oliveira – Foto: Paulo Planta

Aposentado

O aposentado José Maria Oliveira mostrou para reportagem as três contas de água que recebe todo o mês, uma dele, uma do filho e outra do inquilino. Ele não quis revelar a quantidade consumida, mas disse que não concorda com o atraso na leitura. “Você vai somando um pouquinho aqui com um pouquinho ali e no final vê que faz uma diferença”, falou. “Não quero que passem nem antes e nem depois. Se passassem na data certa seria o ideal”, diz. Segundo ele, com o débito automático, isso ajudaria também a acompanhar o saldo da conta no banco.

ares_m

Ares-PCJ

A Ares-PCJ (Agência Reguladora dos Serviços de Saneamento das Bacias dos Rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí), responsável pela regulamentação das cobranças de água informa que não há um dispositivo que autorize ou que impeça a Sanasa de fazer a cobrança em períodos acima de 30 dias, como está acontecendo em Campinas.

De acordo com a assessoria de imprensa da Ares-PCCJ, a regulamentação estipula apenas que a cobrança deve ser feita em intervalos regulares. A normatização não especifica se variações podem ser feitas para cima ou para baixo, nem se há um limite de dias dentro de um período para a leitura do hidrômeretrtro.  O Procon, assim como a agência reguladora, aconselha consumidores que se sintam prejudicados com a cobrança de um período de mais de 30 dias ou que tenham a conta aumentada por causa de mudanças de faixas de consumo, que formalize uma reclamação

Agência busca conscientizar

Junto com a conta de água, a Agência Reguladora PCJ (ARES-PCJ) está entregando para o consumidor e Campinas um folder sobre Consumo Sustentável, um guia de boas práticas de consumo de água. O material será distribuído para mais de um milhão e meio de residências de todos os municípios associados.

Esse material é um guia completo para a redução de consumo de água tratada numa residência, e vai desde as dicas básicas, como monitorar o consumo da família por meio da conta de água mensal, até informações e passos específicos para consumir de maneira sustentável em cada área da casa, e ainda como realizar testes para identificação de vazamentos.

Pela informação contida no folder é possível verificar, por exemplo, que o consumo mensal per capita pode variar de 3 metros cúbicos (3 mil litros) a 9 metros cúbicos (9 mil), ou seja, é possível reduzir o gasto em até 66% com melhores hábitos e cuidado constante.

Como exemplo prático, é apresentado o caso de um funcionário da ARES-PCJ, que mora com a esposa. O casal consumia cerca de 12 metros cúbicos de água por mês. Seguindo as dicas do folder de Consumo Sustentável de Água, esse funcionário trocou a vedação de torneiras e válvulas, instalou redutores de pressão, adotou reuso de água da máquina de lavar para limpeza e descarga, e diminuiu o tempo de banho. Como resultado, sua conta baixou para 6 metros cúbicos, ou seja, uma economia de 50%. Segundo a Agência Reguladora, o casal já tinha como hábito praticar ações de uso consciente da água.

Sem título-1

Previous post

Ligação entre Bacia do Paraíba do Sul e Cantareira é incluída no PAC

Next post

Cinco novos radares começam a operar nesta segunda-feira em Piracicaba

No Comment

Leave a reply

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *