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Material usado em ruas é alvo de revolta

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Moradores dizem que resíduos têm danificado carros e já chegaram a apedrejar máquina que realiza o serviço

O vice-presidente da Associação dos moradores do Village Campinas, Danilo Negreti protesta contra o material utilizado: Vale seu IPTU? - Foto: Renato César Pereira
O vice-presidente da Associação dos moradores do Village Campinas, Danilo Negreti protesta contra o material utilizado: Vale seu IPTU? – Foto: Renato César Pereira

Paulo Planta – Campinas

O material usado pela Prefeitura de Campinas na manutenção das ruas do Village Campinas, em Barão Geraldo, e bairros vizinhos, está causando uma série de reclamações de moradores, que afirmam ter seus carros danificados constantemente por pedras e pedaços de ferro, entre outros transtornos. Eles também denunciam que o material é levado para as partes mais baixas da região, onde passa o Rio Atibaia, e estaria atingindo áreas de nascentes em uma APP (Área de Proteção Permanente).

A situação é tensa e a subprefeitura já chegou a retirar as máquinas do local por pressão dos moradores, que estão mais revoltados com chegada dos carnês do IPTU (Imposto Predial e Territorial Urbano), cujos valores variam entre R$ 1 mil e R$ 2 mil. A mesma reclamação já foi feita por moradores do bairro rural Carlos Gomes, que está em uma APA (Área de Proteção Ambiental).

O vice-presidente da Associação dos moradores do Village Campinas, Danilo Negreti, chegou a instalar uma faixa de protesto, questionando se o valor pago pelo IPTU não daria para a utilização de um produto de melhor qualidade. “Não é material para colocar em rua”, diz. Ele levou a reportagem até onde o material está sendo estocado. “Isso é um perigo para quem passa de carro e para pedestres. Além das quebras de veículos, esse material pode ser lançado contra uma pessoa”, diz. Segundo ele, o local tem aproximadamente 2 mil moradores e a maioria está revoltada. “Queremos a imediata suspensão dos serviços”, comenta.

A agente comunitária Marcia Regina Toledo de Oliveira mostra restos de ferragens encontrados no meio do material utilizado - Foto: Renato César Pereira
A agente comunitária Marcia Regina Toledo de Oliveira mostra restos de ferragens encontrados no meio do material utilizado – Foto: Renato César Pereira

A agente comunitária Marcia Regina Toledo de Oliveira trabalha no posto de saúde do bairro e faz visitas nas casas diariamente. Ela diz que as pessoas estão inconformadas com o material utilizado. Ela conta que teve o carro danificado várias vezes e que o tanque foi perfurado por uma pedra.

Segundo ela, a vizinha teve o mesmo problema. “Outro dia mesmo estourou o pneu de uma EcoSport”, diz. Para Marcia, o subprefeito Valdir Terrazan deveria conversar com as pessoas do bairro, para avaliar a aceitação do material. “Ele não faria isso na frente casa dele”, compara. Ela fez questão de recolher pedaços de ferro para mostrar à reportagem. Outro que não concorda com a utilização do material é o pedreiro Benedito Santana, que mora no bairro desde 89. “Esse material aí não resolve nada”, reclama. Segundo ele, a situação é caótica. “Seco está ruim, por causa da sujeira. Se chove, fica pior”, avalia.

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Material é utilizado para reparo de vias acidentadas da cidade – Foto: Renato César Pereira

Retirado de usina
O material utilizado pela prefeitura para fazer a manutenção das ruas é retirado da URM (Usina de Reciclagem de Materiais), que fica na Estrada do Mão Branca, no bairro Cidade Satélite Iris, onde são levadas as caçambas de entulho das construções. Esse material é triturado e depois reutilizado pela prefeitura em bairros onde não existe pavimentação. Segundo a engenheira Tamires Prudente Borges, coordenadora do local, são produzidas diariamente de 500 a 600 toneladas do material, que é disponibilizado em várias medidas (pedras grande e pequenas). Ela explica que depois de triturado, o material é submetido a uma separação de impurezas, manual e por meio de imã. Segundo ela, pode ocorrer de pregos e pedaços de ferros não serem retirados na triagem, mas que a quantidade não é significativa.

Subprefeito cita aprovação
O subprefeito de Barão Geraldo, Valdir Terrazan, diz que existe rejeição de alguns moradores em relação ao material utilizado, mas que a maioria aprova as melhorias que estão sendo feitas nas vias. Ele conta que moradores já até apedrejaram uma máquina, para que o serviço não continuasse. O subprefeito, no entanto, diz que não pode deixar a linha de ônibus sem manutenção.

Subprefeito Valdir Terrazan
Subprefeito Valdir Terrazan – Foto: Renato César Pereira

“Vamos terminar esse trecho e depois nos reunimos com moradores. Se a maioria achar que o serviço não pode continuar, paramos”, diz. Ele, no entanto, não acha que essa seja a vontade da maioria. Segundo Terrazan, muitos moradores também estão mal informados. O subprefeito afirma que antigamente caminhões de entulho eram despejados no bairro, a pedido dos próprios moradores. “Com as constante utilização de máquinas, esse material acaba aflorando”, diz.

Ele garante que o material usado pela subprefeitura hoje é compactado de forma eficiente e que é submetido a uma vistoria para a retirada de eventuais materiais perfurantes. “Pedimos aos moradores que esperem o serviço ser finalizado. Com a obra em andamento pode parecer que o material é inadequado, mas não é assim”, propõe. Terrazan diz que depois de colocar o material mais grosso, ele é coberto por uma camada de um produto mais fino.

Sobre a ameaça de danos para a região de nascentes, ele diz que recolhe constantemente material jogado de forma clandestina no local. Muitas vezes, segundo ele, o entulho é despejado a pedido dos próprios moradores.

Verde
A SVDS (Secretaria do Verde e Desenvolvimento Sustentável) foi procurada pelo TodoDia para comentar o risco da morte de nascentes no local, por causa do excesso de entulho. Segundo a assessoria de imprensa da secretaria, os questionamentos seriam respondidos apenas pela Secretaria de Serviços Públicos. A SVDS, portanto, não pretende fazer uma avaliação sobre o possível comprometimento dos mananciais na região.

Moradores reclama dos serviços públicos ofertados - Foto: Renato César Pereira
Moradores reclama dos serviços públicos ofertados – Foto: Renato César Pereira

Outras áreas têm reclamações
Os moradores do Village Campinas e bairros da região não estão sozinhos na cruzada contra a utilização do material produzido na URM (Usina de Reciclagem de Materiais). Moradores dos bairros rurais de Carlos Gomes, Gargantilha e Monte Belo, que estão na APA (Área de Proteção Ambiental) convivem com o mesmo problema e as reclamações são idênticas, até na acusação de danos ambientais.

Segundo José Aparecido de Lima, presidente da associação de moradores da região, o material é composto por pedras grandes, pedaços de ferro e pregos. Quando os carros passam, diz Lima, esse material é levado para o meio do mato, onde existem nascentes. Ao chover, observa, o entulho triturado é conduzido pela enxurrada para o leito do Atibaia, que apresenta sinais de assoreamento. Lima chegou a pedir para a prefeitura que o material não fosse mais utilizado, mas não foi atendido. “Os casos de moradores com os veículos danificados continuam”, diz.

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