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Prazer Proibido

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Falta de preservativos deixa usuário de posto de saúde de Campinas sem poder fazer sexo

Recipiente onde deveriam estar os preservativos; segundo funcionários, remessa deve chegar hoje à unidade de saúde - Foto: Paulo Planta
Recipiente onde deveriam estar os preservativos; segundo funcionários, remessa deve chegar hoje à unidade de saúde – Foto: Paulo Planta

Paulo Planta – Campinas

A crise que afeta a rede pública municipal de saúde em Campinas está privando os moradores da cidade até do prazer. Quem depende dos preservativos distribuídos gratuitamente no Centro de Saúde de Sousas, por exemplo, não pode manter relações sexuais. E quem decidir se arriscar sem o uso de camisinha pode ser dar muito mal, uma vez que no caso de contrair alguma doença o cidadão corre o risco de não contar com medicamentos, uma vez que vários deles estão em a falta nas farmácias das unidade de saúde do município.

Já na segunda-feira, funcionários da farmácia da unidade de saúde afirmavam que o produto estava em falta há vários dias. Curiosamente, as camisinhas estão disponíveis em Joaquim Egídio, distrito ao lado, a poucos quilômetros de distância. Teoricamente, seria fácil repartir o estoque existente entre as duas unidades de saúde. No entanto, nas planilhas do almoxarifado da prefeitura consta que os preservativos estão disponíveis para os usuários de Sousas desde o último dia 9. Diante dessa informação, fornecida pela assessoria de imprensa da Secretaria de Saúde, o TodoDia voltou ao local ontem. Apesar de dizer que não podem dar entrevistas, os funcionários afirmam que não receberam o produto.

Depois de afirmar, na segunda-feira, que os preservativos estariam disponíveis apenas na sexta-feira (amanhã), a informação na farmácia ontem era de que as camisinhas voltariam a ser distribuídas hoje. A reportagem conversou com dois moradores de Sousas que retiram preservativos na farmácia do distrito. “Nessa semana ninguém nem está procurando mais, pois sabe que está em falta. Nesse caso, a gente compra na farmácia, pois não é muito caro”, diz um comerciário, que pede para não ser identificado. O TodoDia constatou que não compensa para o usuário do posto de saúde de Sousas ir até Joaquim Egídio buscar o produto. Dependendo da marca, os preservativos podem ser comprados por R$ 0,50 cada nas farmácias da rede pública, acondicionados em embalagens com três unidades. Pagar um ônibus para ir ao distrito vizinho ficaria bem mais caro. Os funcionários da farmácia do posto de saúde de sousas disseram que poucas pessoas perguntaram pelos preservativos nos últimos dias. Isso pode se dar pelo fato de muitos moradores nem pedirem os protetores aos servidores. O produto é colocado ao alcance da mão dos usuários justamente para que ninguém fique sem ele, mesmo que tenha vergonha de perguntar por eles. “Olho na caixinha e se não tem passo outra hora”, disse um estudante à reportagem.

Aids

Afrouxar os mecanismos de prevenção contra a aids pode ser muito perigoso. Segundo dados da Secretaria de Saúde, Campinas tem 7.199 casos de aids registrados entre 1981 e 2013. Nos últimos cinco anos, segundo a secretaria, a cidade vem mantendo a média de 260 novos casos por ano. A maioria das infecções ocorrem em homens, com idade entre 20 e 50 anos.

Medicamentos também não estão disponíveis

Dona de Casa Fátima de Moraes Alonso mostra a receita médica; foi ao posto, mas não conseguiu a medicação - Foto: Paulo Planta
Dona de Casa Fátima de Moraes Alonso mostra a receita médica; foi ao posto, mas não conseguiu a medicação – Foto: Paulo Planta

Além de não ter camisinhas até ontem, a farmácia do Centro de Saúde de Sousas registra uma falta generalizada de medicamentos de distribuição gratuita. Os funcionários do local decidiram até parar de atualizar a lista de remédios ausentes nas prateleiras. A relação não estava, até ontem, disponível para a consulta dos usuários. “Seria mais fácil fazer uma lista do que tem, moço”, disse uma funcionária da farmácia. Desde a segunda-feira, as informações para quem não encontra a medicação pretendida é que ela deve estar disponível a partir de hoje ou amanhã.

 Uma das saídas para os usuários do posto de saúde seria consultar no site da Prefeitura de Campinas a lista de medicamentos disponíveis na unidade de saúde. No entanto, assim como os preservativos, a informação fornecida sobre remédios no posto de saúde não confere com a passada pela administração. A dona de casa Fátima de Moraes Alonso foi até a farmácia para buscar três tipos de medicamento e voltou sem nenhum. O primeiro deles, o Levoid, não é distribuído gratuitamente. Na pesquisa do site da prefeitura ocorre a primeira confusão. Ao digitar o nome do remédio, o usuário recebe a informação de que ele não existe.

No segundo item pesquisado, a informação seria útil, se a dona de casa soubesse que tem a opção de consulta. Ela não encontrou o medicamento Losartan no postinho da prefeitura. A informação no site é de o remédio não está disponível nos postos de saúde e que pode ser encontrado na Farmácia Popular e que também é distribuído gratuitamente nas drogarias conveniadas com o programa “Aqui Tem Farmácia Popular”. No caso do Omeprazol, no entanto, as informações são conflitantes. A dona de casa saiu com a receita na mão, com a informação de que o medicamento está em falta e que, provavelmente, estaria disponível a partir de amanhã. No entanto, o site da prefeitura informa que o medicamento está disponível em Sousas.

Autoclave

Foto: Paulo Planta
Foto: Paulo Planta

A autoclave, aparelho usado para esterilização de instrumentos de odontologia e cirúrgicos, está sem funcionar há três anos consecutivos no Centro de Saúde de Sousas. Na festa de inauguração da reforma do posto, em 17 de dezembro, o secretário de saúde Carmino Antonio de Souza disse que o aparelho voltaria a funcionar no dia seguinte. Até hoje, quase um mês depois, no entanto, o material a ser utilizado precisa ser transportado para outra unidade de saúde. O motivo: ninguém consegue encontrar o cesto onde os instrumentos são acondicionados para serem colocados na máquina. No ano passado, apenas na odontologia, quatro dentistas e cinco auxiliares ficaram o equivalente a 80 dias parados por causa da falta de esterilização de materiais. A Secretaria de Saúde informou ontem que vai tentar localizar a peça. Funcionários do posto de saúde, no entanto, já foram até o almoxarifado da prefeitura e não encontraram o cesto.

 Jornal Todo Dia

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