Home»Campinas»Fila de espera para poda de árvore chega a seis anos

Fila de espera para poda de árvore chega a seis anos

0
Shares
Pinterest Google+
A seringueira, na confluência da avenida Santa Isabel e rua Jerônimo Páttaro, no distrito de Barão Geraldo, foi condenada pela Secretaria Municipal de Serviços Público -SMSP através do Departamento de Parques e Jardins, e deve ser removida em breve.
A seringueira, na confluência da avenida Santa Isabel e rua Jerônimo Páttaro, no distrito de Barão Geraldo, foi condenada pela Secretaria Municipal de Serviços Público -SMSP através do DPJ, e deve ser removida em breve.

A fila de espera para conseguir uma extração ou poda de árvores chega, em alguns casos, a seis anos em Campinas, segundo dados da própria Secretaria de Serviços Públicos. Para se ter uma ideia da morosidade do serviço, a Subprefeitura de Barão Geraldo está encontrando dificuldades para conseguir a extração de uma seringueira e um eucalipto que estariam colocando a população em perigo. O resultado são as quedas frequentes de árvores. A prefeitura informa que a cidade tem hoje 4 mil pedidos na fila de espera.

De acordo com o DPJ (Departamento de Parques e Jardins), órgão da secretaria, são feitos por mês aproximadamente 350 pedidos de poda e outros 350 de supressões. Os números, no entanto, podem não corresponder à realidade, uma vez que muitos moradores desistem de encaminhar solicitações, por já estarem cientes de que é muito difícil conseguir o atendimento.
De acordo com a assessoria de imprensa do DPJ, são realizadas mensalmente cerca de 800 podas (soma de pedidos novos e passivos) e 250 extrações. Ainda segundo o órgão, a cidade registra uma média de 150 quedas de árvores por mês.
Por outro lado, o engenheiro florestal José Hamilton de Aguirre Junior afirma que a cidade precisa de 365 mil árvores de calçada para reduzir o desastre ambiental causado pela falta de plantas e para seguir sua própria Lei de Arborização. Ele afirma que o que se vê, no entanto, são podas radicais, como as realizadas, segundo ele, pela CPFL Paulista, que deixam as árvores com formato bizarro e aumentam as chances de elas adoecerem e cair. Outra ameaça para a arborização, segundo Aguirre, são canteiros pequenos e feitos de forma errada, sem espaçamento correto e ocupados por mato, e a invasão de espécies inadequadas.
Ele cita como exemplo o projeto Cambuí Verde, desenvolvido pela comunidade, que faz plantio de árvores com os canteiros grandes, forrados com grama amendoim e de espécies adequadas. Ele diz que o projeto deveria ser seguido pelo DPJ. “Nossos vilões são o descaso, a ingerência e a incompetência com que a arborização campineira é lidada”, advertiu.

GUIA DE ARBORIZAÇÃO
A assessoria de imprensa da secretaria disse que todos os procedimentos tomados em relação às árvores do município são orientados pelo Guia de Arborização Urbana, que está disponível para consulta no site da secretaria e que uma árvore só é arrancada após a emissão de um laudo técnico feito por um especialista. Esse profissional, no entanto, é funcionário da administração. A secretaria afirma também que no passado não havia critério para o plantio, o que teria culminado nos problemas registrados hoje. “Informamos também que as equipes de poda passam por treinamento para fazer o serviço, que as podas simples são feitas com acompanhamento de um técnico e que as podas complexas só são realizadas com avaliação e laudo técnico”, diz trecho de nota encaminhada para a reportagem. O DPJ não informou se há planos para agilizar as podas e extrações.
Eucalipto que atingiu parte da rua em Barão Geraldo e deve ser extraído: risco ao trânsito - Foto: Paulo Planta
Eucalipto que atingiu parte da rua em Barão Geraldo e deve ser extraído: risco ao trânsito – Foto: Paulo Planta

Arborização será apurada

A situação da arborização de Campinas será alvo de uma fiscalização intensa do Condema (Conselho Municipal de Defesa do Meio Ambiente), que quer obrigar a prefeitura a obter, como empreendedores particulares, licenciamento ambiental para fazer podas e extrações. A ideia é que essa medida seja contemplada no Plano Municipal do Verde, que está sendo elaborado pela administração e que será encaminhado para apreciação dos vereadores.

O presidente do Comdema, Carlos Alexandre Silva, disse que o Conselho tem uma reunião agendada pera este mês com a Secretaria de Serviços Públicos e que vai pedir esclarecimentos sobre a situação da saúde das árvores do município. Serão cobrados dados como saúde, levantamento da quantidade e a tipologia. Ele disse que o Condema está preocupado com a situação das espécies arbóreas e que há restrições, por exemplo, aos tipos de podas que são feitas. Para Silva, um dos principais problemas em relação à arborização da cidade é que a prefeitura não tem de obter licenciamento ambiental para fazer as intervenções nas árvores. 

CPFL afirma que só faz corte emergencial

Segundo a CPFL Paulista, a empresa realiza somente podas emergenciais para evitar riscos de danos à rede elétrica que possam comprometer a segurança das pessoas e o fornecimento de energia. De acordo com a empresa, são adotados critérios técnicos para evitar agressões desnecessárias às árvores. “Engenheiros, técnicos e eletricistas da CPFL e de empresas terceirizadas recebem informações teóricas e práticas para executar a poda de maneira correta. Os trabalhos são monitorados pelos especialistas em meio ambiente da empresa”, diz trecho de nota encaminhada ao jornal.

A CPFL afirma ainda que “desenvolve um programa focado na convivência harmoniosa entre a rede de energia elétrica e arborização urbana”.
A iniciativa, segundo a empresa, tem o objetivo de atuar preventivamente através da distribuição de mudas ideais para o plantio em vias públicas.
O motoboy Rodrigo Bachelli mostra seringueira que precisa ser extraída; ele gostaria que fosse avaliada a possibilidade de a árvore não ser retirada - Foto: Paulo Planta
O motoboy Rodrigo Bachelli mostra seringueira que precisa ser extraída; ele gostaria que fosse avaliada a possibilidade de a árvore não ser retirada – Foto: Paulo Planta

Poda radical matou árvore

Em Barão Geraldo, na Rua Jerônimo Pattaro, podas radicais, feitas para evitar que árvores atingissem a fiação elétrica, causaram a morte de uma seringueira, segundo a subprefeitura do distrito. Do outro lado da rua, um eucalipto plantado na margem da calçada atingiu parte da via e gera perigo para motoristas. As duas árvores devem ser extraídas. O processo, no entanto, é demorado, segundo o subprefeito do distrito, Valdir Terrazan. “Já foi emitido um laudo atestando a necessidade de retirada e agora estamos aguardando o DPJ”, disse Terrazan. A subprefeitura está na fila para supressão da árvore há 40 dias e não sabe quando será atendida.

Mesmo admitindo o formato estranho da seringueira e o risco que um galho da árvore, que está pendendo sobre a rua, representa, o motoboy Rodrigo Bachelli diz que é preciso verificar se não existe mesmo nenhuma chance de salvá-la. “Moro aqui há mais de 20 anos e já me acostumei com ela”, disse.
Previous post

Novo desvio será implantado no Trevo de Valinhos, do anel viário Magalhães Teixeira, a partir deste sábado, dia 10

Next post

Tarifa do transporte coletivo de Campinas será de R$ 3,50 a partir de sábado, 10

2 Comments

  1. Tereza Penteado
    janeiro 9, 2015 at 9:55 am — Responder

    Vejam informações sobre o descaso com nossas arvores no link http://blog.individuoacao.org.br/2015/01/queda-de-arvore-e-o-fim-da-linha-do.html

  2. Tereza Penteado
    janeiro 10, 2015 at 7:07 pm — Responder

    Jose Hamilton de Aguirre Junior afirma ” projeto Cambuí Verde, desenvolvido pela comunidade, que faz plantio de árvores com os canteiros grandes, forrados com grama amendoim e de espécies adequadas. Ele diz que o projeto deveria ser seguido pelo DPJ”

Leave a reply

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *