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Construção da Represa de Pedreira vai inundar parte da APA Campinas

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Parte de Sousas, na divisa com Pedreira e no coração da APA Campinas, ficará debaixo da água, encoberta por uma represa que será construída naquela região

PCH Macaco Branco da CPFL
PCH Macaco Branco da CPFL – 43% de supressão da vegetação nativa na construção da represa

Parte de Sousas, na divisa com Pedreira, ficará debaixo da água, encoberta por uma represa que será construída no Rio Jaguari, pelo Departamento de Águas e Energia Elétrica (DAEE). Apesar de a região alagada ficar na área rural, as casas de muitos moradores serão inundadas e eles serão obrigados a abandonar suas propriedades. Foram essas pessoas que confirmaram que a barragem a ser construída vai fazer a água encobrir parte do distrito. Elas receberam visitas de “homens” avisando que a “água vai chegar”. A crise hídrica provocada pela estiagem e a ameaça ao abastecimento fizeram o Governo do Estado tirar do papel um projeto que estava em fase de estudo há pelo menos dois anos.

A construção da nova barragem vai causar impactos sociais e ambientais importantes, mas o DAEE não divulga informações detalhadas. A assessoria de imprensa do órgão limitou-se a enviar o que já foi publicado em seu site. Segundo a publicação, a represa vai atingir Pedreira, Campinas e Amparo (incluindo a usina que será construída no Rio Camanducaia).

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PCH Macaco Branco da CPFL – 43% de supressão da vegetação nativa na construção da represa

O decreto declarando a área de utilidade pública, primeira providência para a desapropriação de chácaras e fazendas, foi publicado pelo Governo do Estado em fevereiro. Segundo o site do DAEE, a área a ser desocupada tem 11,9 quilômetros quadrados.

A Barragem de Pedreira, como já é chamada, vai ocupar uma área de 4,3 quilômetros quadrados e terá capacidade para acumular um total de 26,3 milhões de metros cúbicos de água e vazão regularizada de 7,3 metros cúbicos por segundo, quase o dobro da vazão liberada hoje pelo Sistema Cantareira para a região. A Sociedade de Abastecimento e Saneamento S.A. (Sanasa) informou que pretende captar água na represa para abastecer Campinas. Uma usina hidrelétrica também será feita no local. Ela deve substituir a Usina de Macaco Branco, construída em 1911, que será encoberta pela represa.

Uma segunda barragem, de Duas Pontes, será construída no Rio Camanducaia, em Amparo. Ela terá capacidade para 41 milhões de metros cúbicos, ocupará uma área de 7,6 quilômetros quadrados e terá vazão regularizada de 6,5 metros cúbicos por segundo. “As barragens serão construídas abaixo do complexo Cantareira e têm por objetivo criar uma reserva hídrica estratégica na bacia do PCJ, com uma vazão regularizada de 13,8 mil litros de água por segundo que vai permitir aprimorar a operação do Sistema Cantareira e reduzir a dependência dos municípios da bacia do PCJ, especialmente nas épocas de estiagem”, destaca Alceu Segamarchi Jr., superintendente do DAEE.

Em dezembro de 2013, o DAEE iniciou o processo de licitação para desenvolvimento dos projetos executivos e EIA-RIMA (Estudo de Impacto Ambiental/Relatório de Impacto Ambiental) para os novos reservatórios. A previsão é que a licitação seja concluída em abril. A empresa vencedora terá 14 meses de prazo para entregar os projetos.

CoLõnia de moradores na PCH Macaco Branco
Colônia de moradores na PCH Macaco Branco

Valorização

Os impactos sociais e ambientais gerados pela construção da barragem em Sousas e Pedreira serão enormes. A execução de um projeto como esses gera mudanças significativas para população, flora e fauna. Um impacto positivo para alguns, por exemplo, será a valorização de terras no entorno da represa, o que já está acontecendo, segundo corretores imobiliários.

[box type=”shadow” align=”alignright” ]EMPRESA HIDRELÉTRICA JAGUARI – PEDREIRA – SP – EMPRESA FUNDADA EM 1912 A Empresa Hidrelétrica Jaguari foi uma iniciativa de Silvio de Aguiar Maya e sua família, que em 1912 inauguram a usina hidrelétrica de Macaco Branco, no rio Jaguari, próxima à cidade paulista de Pedreira. Os Maya possuíam vários empreendimentos no município de Pedreira, como olarias e a Tecelagem Santa Sofia. A energia gerada no Macaco Branco era distribuída para Pedreira e para o povoado de Jaguari, então pertencente ao município de Mogi Mirim e emancipado em 1953 com o nome de Jaguariúna. A Empresa Hidrelétrica Jaguari permaneceu como uma empresa familiar até 1979, quando foi vendida à Companhia Paulista de Energia Elétrica, um tradicional conglomerado de empresas de eletricidade formado em 1912 sob a liderança do coronel Vicente Dias Jr., concessionário no município de São José do Rio Pardo. A Companhia Paulista de Energia Elétrica (CPEE) e suas afiliadas no interior de São Paulo continuaram nas mãos de famílias brasileiras pela maior parte do século 20, até que em 1999 foram compradas pelo grupo estadunidense CMS Energy Brasil. Em 2007, a CPFL comprou da CMS Energy Brasil o conjunto de empresas pertencentes à antiga CPEE, que passaram a integrar a holding CPFL Energia. A operação da antiga Empresa Hidrelétrica Jaguari, que atendia os municípios de Jaguariúna e Pedreira, tornou-se a CPFL Jaguari.[/box]

 

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